Informativo
NOVO PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO AVANÇA NO COMBATE ÀS DESIGUALDADES
O
presidente da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), Hugo Silva,
disse ao Portal
Vermelho que a expectativa é que as novas metas traçadas para educação
básica sejam cumpridas.
Por Iram Alfaia
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou ao Congresso
Nacional o projeto de lei do Novo Plano Nacional de Educação (PNE) para o
decênio 2024-2034. O Plano começa a tramitar na Câmara dos Deputados e
substitui o atual que deve ser prorrogado.
O ministro da Educação, Camilo Santana, disse que o novo PNE tem
como marca a equidade.
“Encaminhamos ao Congresso um texto técnico e resultado da
participação da sociedade. A marca deste plano é a equidade. É um princípio que
atravessa os 18 objetivos (veja abaixo). Uma novidade é o fato de termos metas
focadas na redução de desigualdades entre grupos sociais”, destacou o ministro.
Ainda durante a realização da Conferência Nacional de Educação
(Conae), em janeiro passado, o ministro disse que o PNE tinha como objetivo
“acabar com a diferença entre pobres e ricos, negros e brancos, para dar oportunidade
a todos”.
“Um desafio tão grande pela desigualdade que esse país tem.
Queremos um Plano com equidade, inclusão e diversidade”, declarou na ocasião.
O ministro fez referência ao Eixo II do documento final da Conae
no qual considera essencial a garantia do direito de todas as pessoas à
educação de qualidade social.
Leia mais: A batalha da
Educação: o governo Lula e o desafio de reconstruir o PNE
Por exemplo, o novo Plano estabeleceu objetivos específicos para
as modalidades de educação escolar indígena, educação do campo e educação
escolar quilombola, relacionados à ampliação do acesso para estes estudantes.
Além disso, foram mantidas metas para os públicos-alvo da
educação especial e educação bilíngue de surdos.
O presidente da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas
(Ubes), Hugo Silva, disse ao Portal
Vermelho que a expectativa é que as novas metas traçadas
para educação básica sejam cumpridas.
“A gente chegou há dez anos depois do último PNE com apenas três
metas que estão quase cumpridas, isso não pode se repetir. Vamos fazer uma luta
também para garantir a manutenção dos 10% do PIB para a educação e também a
ampliação da conectividade nas escolas”, afirmou Silva.
Para ele, a prioridade é aumentar para 75% ou mais a meta de 65%
das escolas com conectividade, que está no Plano. Hugo diz traçar essa meta é
“muito ruim”.
Em nota técnica divulgada nesta segunda-feira (1º), a Campanha
Nacional pelo Direito à Educação diz que o projeto apresenta avanços
relacionados à equidade e dá um primeiro passo para o financiamento, mantendo
os 10% do PIB para a educação.
Contudo, o movimento, que reúne diversas entidade da área, diz
que é preciso “sinalizar como deve ser a articulação da política educacional
com planos de desenvolvimento econômico e social que viabilizem a realização
dos objetivos, metas e estratégias”.
Para a entidade, é primordial não retroceder em relação ao PNE
atual e ousar em percentuais para o alcance de objetivos e metas, e acelerar
seus prazos, “dado que chegamos ao final do decênio do PNE 2014-2024 com um
avassalador descumprimento, que precisa e deve ser recuperado, dado o impacto
negativo sistêmico sentido não somente na violação de direitos como também em
nosso desenvolvimento socioeconômico e sustentável”.
METAS NÃO
CUMPRIDAS
O atual PNE tem apenas duas metas cumpridas das 20
estabelecidas. São elas: elevar a qualidade do ensino superior e a proporção de
mestres e doutores entre os professores das faculdades; e o aumento do número
de matrículas no mestrado e no doutorado.
Há um esforço para atingir outra meta até o final do ano:
formar, em nível de pós-graduação, 50% dos professores da educação básica e
garantir formação continuada para todos.
A professora da Universidade de Brasília (UnB) Catarina Almeida
Santos, doutora em Educação, disse à Agência Câmara que faltou “vontade
política” como umas das razões do fracasso do atual PNE.
Ela diz que a Emenda Constitucional 95, que estabeleceu um teto
de gastos, em 2016, no governo ilegítimo de Michel Temer, foi fundamental para
destruir o PNE sancionado dois anos antes.
“A aprovação da emenda do teto de gastos foi um dos empecilhos
para o cumprimento do Plano Nacional de Educação, porque não tem como fazer o
plano sem financiamento (…) Quando o Parlamento brasileiro e o presidente da
República se organizaram para aprovar essa emenda, estavam dizendo que os
direitos sociais, sobretudo o direito à educação, não era um objetivo do estado
brasileiro”, criticou.
Confira
os 18 objetivos do novo PNE enviado ao Congresso:
1 – Ampliar a oferta de matrículas em creche e universalizar a
pré-escola;
2 – Garantir a qualidade da oferta de educação infantil;
3 – Assegurar a alfabetização ao final do 2º segundo ano do
ensino fundamental para todas as crianças, com inclusão e redução de
desigualdades;
4 – Assegurar que crianças, adolescentes e jovens em idade
escolar obrigatória concluam o ensino fundamental e o ensino médio na idade
regular, em todas as modalidades educacionais, com inclusão e redução de
desigualdades;
5 – Garantir a aprendizagem dos estudantes no ensino fundamental
e no ensino médio, em todas as modalidades educacionais, com inclusão e redução
de desigualdades;
6 – Ampliar a oferta de educação integral em tempo integral para
a rede pública;
7 – Promover a educação digital para o uso crítico, reflexivo e
ético das tecnologias da informação e da comunicação, para o exercício da
cidadania;
8 – Garantir o acesso, a qualidade da oferta e a permanência em
todos os níveis, etapas e modalidades na educação escolar indígena, na educação
do campo e na educação escolar quilombola;
9 – Garantir o acesso, a oferta de atendimento educacional
especializado e a aprendizagem dos estudantes público-alvo da educação especial
e dos estudantes público-alvo da educação bilíngue de surdos, em todos os
níveis, etapas e modalidades;
10 – Assegurar a alfabetização e ampliar a conclusão da educação
básica para todos os jovens, adultos e idosos;
11 – Ampliar o acesso e a permanência na educação profissional e
tecnológica, com inclusão e redução de desigualdades;
12 – Garantir a qualidade e a adequação da formação às demandas
da sociedade, do mundo do trabalho e das diversidades de populações e seus
territórios na educação profissional e tecnológica;
13 – Ampliar o acesso, a permanência e a conclusão na graduação,
com inclusão e redução de desigualdades;
14 – Garantir a qualidade de cursos de graduação e instituições
de ensino superior;
15 – Ampliar a formação de mestres e doutores, de forma
equitativa e inclusiva, com foco na prospecção e solução dos problemas da
sociedade;
16 – Garantir formação e condições de trabalho adequadas aos
profissionais da educação básica;
17 – Assegurar a participação social no planejamento e gestão
educacional; e
18 – Assegurar a qualidade e equidade nas condições de oferta da
educação básica.
Fonte:
Portal Vermelho
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