Informativo
UMA ECONOMIA EM FRANGALHOS: PIB EM QUEDA, DESEMPREGO EM ALTA E FUGA DE CAPITAIS RECORDE
O cenário econômico brasileiro é desolador. A
tragédia em curso é sinalizada pelas estatísticas do IBGE sobre emprego, do
Banco Central sobre o fluxo de capitais estrangeiros e ainda pelas previsões do
Fundo Monetário Internacional (FMI) para o desempenho do PIB brasileiro neste
ano.
Dados divulgados nessa quarta-feira (24) pelo
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que, em maio, 19
milhões de trabalhadores estavam afastados do trabalho e, entre estes, 9,7
milhões ficaram sem remuneração.
O instituto realizou uma pesquisa para
avaliar os impactos sociais e econômicos da pandemia e concluiu que:
4,2 milhões de brasileiros tiveram sintomas
da Covid-19;
19 milhões foram afastados do trabalho pelo
distanciamento social;
11,5% da população ocupada ficaram sem
remuneração;
o rendimento médio efetivo recuou 18,1%;
o desemprego aberto atingiu 10,1 milhões de
brasileiros em maio;
os trabalhadores domésticos foram os mais
afetados pela pandemia;
8,7 milhões passaram a fazer trabalho remoto;
o home office atinge mais os trabalhadores
com maior instrução.
FUGA DE
CAPITAIS
Em 12 meses até maio, investidores retiram
US$ 50,9 bilhões do Brasil em aplicações financeiras, de acordo com informações
do Banco Central. É a maior fuga de capitais da série histórica iniciada em
1995. Tais valores englobam aplicações em ações, fundos de investimento e
títulos de renda fixa.
Somente em maio, as retiradas somaram US$ 2,2
bilhões, com saídas líquidas de US$ 545 milhões em títulos de renda fixa e de
US$ 1,6 bilhão em ações e fundos de investimento. Nos cinco primeiros meses de
2020, a fuga foi de US$ 33,6 bilhões de investimentos em “portfólio” negociados
no mercado doméstico, na comparação com o ingresso líquido de US$ 9,7 bilhões
no mesmo período do ano passado.
É consenso entre os analistas que, ao lado da
crise econômica mundial, a fuga de capitais estrangeiros tem muito a ver com a
instabilidade política e as polítias desastrosas do governo Bolsonaro,
destacadamente para o meio ambiente e as comunidades indígenas. O entreguismo
descarado do presidente e do ministro Paulo Guedes não tem a contrapartida
desejada pelos investidores internacionais.
PREVISÕES
DO FMI
As novas previsões que o Fundo Monetário
Internacional (FMI) divulgou nesta quarta (24) para o desempenho da economia
brasileira são bem mais sombrias do que as anteriores. O tombo do PIB deve
chegar a 9,1% neste ano. Será o maior da história do capitalismo brasileiro, se
forma confirmado pelos fatos.
Cabe destacar que em abril, o FMI estimava
uma recessão significativamente menor, de 5,3%. A mudança se deve também à
desastrosa abordagem da pandemia do coronavírus pelo governo, que além de
sacrificar vidas e levar o Brasil ao desonroso segundo lugar no ranking mundial
das vítimas da doença (atrás apenas dos EUA) agrava a crise econômica.
PANDEMIA
E RECUPERAÇÃO ECONÔMICA
Os novos dados do Fundo publicados no
relatório World Economic Outlook mostraram uma piora generalizada para a
atividade econômica mundial, confirmando que os estragos econômicos da pandemia
são mais intensos do que o previsto inicialmente. O FMI aponta, por exemplo,
que o PIB global deve recuar 4,9% neste ano – a previsão anterior era queda de
3%.
Pela primeira vez, projeta-se um desempenho
negativo do PIB em 2020 para todas as regiões . No entanto, “existem diferenças
substanciais entre as economias, refletindo a evolução da pandemia e a eficácia
das estratégias de contenção”, escreveu o FMI em relatório.
RESPONSABILIDADES
A experiência vai revelando que os países que
se livram mais cedo da pandemia, adotando o isolamento social e medidas
drásticas para conter seu avanço, são também os que reúnem melhores condições
para assegurar uma recuperação mais rápida e robusta das economias.
É o contrário do que imaginou Bolsonaro e seu
governo ao confrontar o isolamento social e criar crises com governadores,
prefeitos e STF. O Palácio da Alvorada tem inegável responsabilidade pelas
mortes de dezenas de milhares de brasileiros e brasileiras e pelo consequente
agravamento da crise econômica.
“A pandemia levou as economias para um grande
lockdown, o que ajudou conter o vírus e salvar vidas, mas também desencadeou a
pior recessão desde a Grande Depressão”, pontuou a economista-chefe do FMI,
Gita Gopinath. “Vários países começaram a se recuperar. No entanto, na ausência
de uma solução média, a força da recuperação é altamente incerta e o impacto
nos setores e países desiguais.
PIORA
FISCAL
Com o aumento dos gastos públicos realizado
pelos governos para conter o avanço da pandemia, o FMI também atualizou as projeções
para o envidamento dos países.
Segundo o Fundo, as medidas fiscais
anunciadas pelos países já somam mais de US$ 10 trilhões, acima dos US$ 8
bilhões esperados inicialmente em abril. Com esse afrouxamento fiscal, o FMI
estima que a dívida bruta global deverá chegar a 101,5% do PIB neste ano. Para
o Brasil, o FMI estima que a dívida bruta vai alcançar 102,3% do PIB neste ano.
RETOMADA
MAIS TÍMIDA
O FMI também revisou as projeções de
crescimento dos países para 2021. Na nova leitura, o Fundo ficou mais
pessimista para a atividade global. Agora, a expectativa de crescimento do
mundo é de 5,4% no ano que vem, abaixo dos 5,8% projetados em abril.
Para o Brasil, no entanto, há uma pequena
melhora. Em 2021, a projeção para a economia brasileira é de avanço de 3,6%,
acima dos 2,9% esperados no relatório passado.
Apesar disto, o desempenho brasileiro deverá
ficar abaixo da previsões do Fundo para as economias emergentes, que devem
apresentar expansão de 5,9%. Já as economias avançadas devem crescer 4,8%.
Em 2021, projeta-se que a taxa de crescimento
para os países emergentes e economias em desenvolvimento de 5,9%, refletindo
amplamente a previsão de recuperação para a China (8,2%), assinala o FMI.
Fonte:
Portal CTB
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