Informativo
SAMUEL GUIMARÃES: BOLSONARO CAI ATÉ JULHO E NÃO HAVERÁ DITADURA MILITAR COM MOURÃO
247 – O embaixador
Samuel Pinheiro Guimarães Neto, ex-secretário-geral do Itamaraty durante o
governo Lula, tem uma avaliação incisiva do atual cenário político brasileiro:
o governo Jair Bolsonaro não deve passar de julho e uma eventual Presidência do
general Hamilton Mourão não deve causar receios de uma nova ditadura militar.
"No cardápio político, hoje em dia, Bolsonaro está sendo servido. O prato
alternativo que se pode escolher é Mourão", afirma.
Em entrevista ao site Intercept, Guimarães
descartou a hipótese de uma eventual Presidência de Mourão colocar o país em
rota de uma nova ditadura militar: "[Os militares] passaram 30 anos
tentando limpar os aspectos negativos da ditadura para eles. Veio o Bolsonaro e
o tempo todo relembra a ditadura. Eles ficam horrorizados com isso". Para
ele, o núcleo duro do governo não é militar: "Mas o núcleo duro, por assim
dizer, é militar".
Leia as respostas do embaixador
Samuel Guimarães a partir de sua cogitação de um impeachment de Bolsonaro no
mês de julho:
O que, em julho? Um
impeachment? E aí assume Mourão.
Naturalmente. No cardápio
político, hoje em dia, Bolsonaro está sendo servido. O prato alternativo que se
pode escolher é Mourão. Outros pratos, como revolução socialista e proletária,
estão em falta. Assembleia nacional constituinte? Também não está sendo
servido. O que tem é o Mourão. Você pode não gostar, achar que é a volta dos
militares, achar o que quiser.
Não o preocupa uma eventual
volta dos militares ao poder?
De forma alguma. Por várias
razões. Primeiro porque temos um governo ideológico e que divide o país,
promove o antagonismo social todos os dias. Agora, liberou as pessoas a
transitarem com armas carregadas. É uma coisa inacreditável. Temos 63 mil
mortes por ano, em toda a Guerra do Vietnã os EUA não perderam o que morre no
Brasil por ano. É um governo que promove ódio racial, todo tipo de confronto na
sociedade. Isso é uma coisa muito perigosa. O governador do Rio subiu num
helicóptero para acompanhar uma ação em que sujeitos iam matar pessoas. Isso é
uma loucura. O general Mourão, desde que tomou posse – antes, não – só fala a
coisa certa. Até julho o governo tem que aprovar a [reforma da] previdência,
alguma coisa tem que aprovar, porque estão achando que vai ser um milagre, se
aprova a previdência e tudo vai se resolver.
Vamos supor que Bolsonaro de
fato deixe o cargo, sofra um impeachment. Não é arriscado termos os militares
de volta no comando do país?
Não. Em qualquer país do mundo
que se respeite, os militares fazem parte da sociedade, não são contra a
sociedade. Nos EUA, você acha que o establishment critica os militares? Na
França? Na Alemanha? Na Inglaterra? Mas aqui criou-se essa ideia de sociedade
civil de um lado e os militares do outro. Foi o príncipe dos sociólogos quem
fez isso (irônico, se referindo ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso).
Isso criou uma situação em que, primeiro, se tirou a responsabilidade dos civis
que apoiaram a ditadura e que muito se beneficiaram, mais do que os militares,
que ficaram com a culpa, mas não ficaram ricos. A Globo se criou durante a
ditadura, são multimilionários. Os bancos, a mesma coisa. Esse conceito
permitiu dizer: "Olha, a ditadura foi uma coisa militar. Aqui estamos nós,
os civis, que nunca nos beneficiamos com ela, nunca enriquecemos nela."
Enriqueceram, e muito. Com aquele crescimento muito alto (da economia nos
primeiros anos da década de 1970, época do chamado "milagre
econômico" brasileiro) com arrocho salarial, eles ficaram milionários,
empresários como Gerdau ficaram milionários.
O senhor não vê nenhum risco de
uma "recaída" dos militares, um novo AI-2 (o segundo ato
institucional decretado pela ditadura, de 1965, que acabou com as eleições
diretas para presidente, extinguiu partidos políticos e permitiu uma intervenção
do poder Executivo no Judiciário)?
Para quê? Não vale a pena. [Os
militares] Passaram 30 anos tentando limpar os aspectos negativos da ditadura
para eles. Veio o Bolsonaro e o tempo todo relembra a ditadura. Eles ficam
horrorizados com isso. As pesquisas de opinião mostram que os militares são um
dos grupos que têm mais confiança da população brasileira. Conseguiram isso, e
o Bolsonaro passa o tempo todo lembrando da ditadura, do [ditador chileno
Augusto] Pinochet, do [ditador paraguaio Alfredo] Stroessner, do [coronel
Carlos Alberto] Brilhante Ustra (um dos principais comandantes da tortura de
adversários do regime militar).
Mourão também fez elogios a
ele.
Antes de ser vice-presidente.
De lá para cá, ele é monitorado pelo alto-comando. Ele não fala por ele, tanto
que não é contestado, reparou? Não há nenhum general, da ativa ou da reserva,
que tenha contestado Mourão publicamente. Pode ser que eles discutam
[internamente], mas publicamente não vi nenhuma declaração. Porque eles sabem
que [um eventual fracasso do governo Bolsonaro] vai bater lá neles, entende?
Essa confusão que o Bolsonaro está armando, esse caldo de antagonismo, vai
bater neles. E não interessa a eles [uma nova ditadura], porque não é mais moda
no mundo, não é? Teve a moda das ditaduras militares na América Latina, Brasil,
Argentina, toda parte. Hoje em dia, não é mais assim.
Vamos supor que Bolsonaro de
fato deixe o cargo, sofra um impeachment. Não é arriscado termos os militares
de volta no comando do país?
Não. Em qualquer país do mundo que se
respeite, os militares fazem parte da sociedade, não são contra a sociedade.
Nos EUA, você acha que o establishment critica os militares? Na França? Na
Alemanha? Na Inglaterra? Mas aqui criou-se essa ideia de sociedade civil de um
lado e os militares do outro. Foi o príncipe dos sociólogos quem fez isso (irônico,
se referindo ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso). Isso
criou uma situação em que, primeiro, se tirou a responsabilidade dos civis que
apoiaram a ditadura e que muito se beneficiaram, mais do que os militares, que
ficaram com a culpa, mas não ficaram ricos. A Globo se criou durante a
ditadura, são multimilionários. Os bancos, a mesma coisa. Esse conceito
permitiu dizer: “Olha, a ditadura foi uma coisa militar. Aqui estamos nós, os
civis, que nunca nos beneficiamos com ela, nunca enriquecemos nela.”
Enriqueceram, e muito. Com aquele crescimento muito alto (da economia nos primeiros anos
da década de 1970, época do chamado “milagre econômico” brasileiro)
com arrocho salarial, eles ficaram milionários, empresários como Gerdau ficaram
milionários.
O senhor não vê nenhum risco de uma “recaída”
dos militares, um novo AI-2 (o segundo ato institucional decretado
pela ditadura, de 1965, que acabou com as eleições diretas para presidente,
extinguiu partidos políticos e permitiu uma intervenção do poder Executivo no
Judiciário)?
Para quê? Não vale a pena. [Os militares]
Passaram 30 anos tentando limpar os aspectos negativos da ditadura para eles.
Veio o Bolsonaro e o tempo todo relembra a ditadura. Eles ficam horrorizados
com isso. As pesquisas de opinião mostram que os militares são um dos grupos
que têm mais confiança da população brasileira. Conseguiram isso, e o Bolsonaro
passa o tempo todo lembrando da ditadura, do [ditador chileno Augusto]
Pinochet, do [ditador paraguaio Alfredo] Stroessner, do [coronel Carlos
Alberto] Brilhante Ustra (um dos principais comandantes da tortura de adversários do regime militar).
Mourão também fez elogios a ele.
Antes de ser vice-presidente. De lá para cá, ele é
monitorado pelo alto-comando. Ele não fala por ele, tanto que não é contestado,
reparou? Não há nenhum general, da ativa ou da reserva, que tenha contestado
Mourão publicamente. Pode ser que eles discutam [internamente], mas
publicamente não vi nenhuma declaração. Porque eles sabem que [um eventual
fracasso do governo Bolsonaro] vai bater lá neles, entende? Essa confusão que o
Bolsonaro está armando, esse caldo de antagonismo, vai bater neles. E não interessa
a eles [uma nova ditadura], porque não é mais moda no mundo, não é? Teve a moda
das ditaduras militares na América Latina, Brasil, Argentina, toda parte. Hoje
em dia, não é mais assim.
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