Informativo
ALÉM DE EXTINGUIR OS MINISTÉRIOS DA CULTURA E DO ESPORTE, BOLSONARO QUER O FIM DO SISTEMA S
Nem
tomou posse e Jair Bolsonaro já enfrenta inúmeras polêmicas em seu projeto de
“terra arrasada” para o Brasil. Até os industrias mostram seu descontentamento
quando o futuro ministro da Fazenda, Paulo Guedes fala em “desvio de
finalidade” do Sistema S.
De
acordo com Guedes, “o ponto focal é colocar o Sistema S prestando contas” para
dessa forma, “trazê-lo para a moderna governança corporativa”.
Já
Danilo Santos de Miranda, diretor regional do Serviço Social do Comércio (Sesc)
paulista, diz à Folha de S.Paulo, estar observando que eles “imaginam que
o compromisso do chamado Sistema S inteiro é a formação profissional”.
Miranda
explica que “o Sesc não tem compromisso com formação profissional, o Sesi
(Serviço Social da Indústria) também não. Para isso tem o Senac (Serviço
Nacional de Aprendizagem Comercial) e o Senai (Serviço Nacional da Indústria),
que foram criados com essa finalidade”.
O chamado
Sistema S foi criado em 1946, mantido por industriais, sob a forma de
patrocínios. Por isso, a reclamação da equipe do governo de extrema direita.
Somente no ano passado, segundo a Receita Federal foram devolvidos ao Sistema
S, R$ 16,4 bilhões.
Além
do Senac, Senai, Sesc, Sesi, compõem o Sistema S, o Serviço Nacional de
Aprendizagem Rural (Senar), Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo
(Sescoop) e Serviço Social de Transporte (Sest).
“Pelo
jeito o futuro governo vem com uma fome de anteontem para acabar com todos os
projetos que têm dado certo na educação e na cultura e nega a importância do
Sistema S”, afirma Ronaldo Leite, secretário de Formação e Cultura da CTB.
SEM CULTURA E ESPORTE
PAÍS ANDA PARA TRÁS
As
investidas de Bolsonaro não se restringem, no entanto, ao Sistema S. Em sua
reforma ministerial, “não há espaço para os ministérios do Trabalho e do Meio
Ambiente, por exemplo, que dirá retomar o de Política para as Mulheres, de
Igualdade Racial, Direitos Humanos e Cidadania”, conta Celina Arêas, secretária
da Mulher Trabalhadora da CTB.
A
proposta do governo eleito em 28 de outubro, remonta ao período anterior ao fim
da ditadura (1964-1985), quando tanto a Cultura quanto o Esporte faziam parte
do Ministério da Educação – na época Ministério da Educação e Cultura, daí a
sigla MEC.
O
Ministério da Cultura (MinC) nasceu em 1985 no governo de José Sarney, marcando
o início da chamada “Nova República”. Já em 1990, com a posse do primeiro
presidente eleito pelo voto direto depois de 1960, Fernando Collor de Mello
transformou o MinC em secretaria.
A
produção cultural no período Collor capengou profundamente com os cortes de
patrocínios governamentais. O cinema por exemplo, chegou perto da produção
zero, vivendo de filmes de Xuxa e dos Trapalhões, praticamente. Com o
impeachment de Collor em 1992, Itamar Franco deu status de ministério novamente
à Cultura.
Já
o Esporte ganhou status de ministério em 1995, com a posse de Fernando Henrique
Cardoso, com o nome de Ministério Extraordinário do Esporte, que teve Edson
Arantes do Nascimento, o Pelé, como seu ministro.
Em
seu segundo mandato, FHC, transformou em Ministério do Esporte e Turismo.
Somente em 2003, no primeiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva foi nomeado
Ministério do Esporte.
“O
esporte e a cultura são fundamentais para a formação de uma nação”, argumenta
Vânia Marques Pinto, secretária de Políticas Sociais, Esporte e Lazer da CTB.
“Como o futuro governo pretende criar condições para tirar a juventude das ruas
se não valoriza a cultura e o esporte?”, pergunta.
Para
ela, “a juventude precisa da prática esportiva para a sua formação cognitiva,
motora e emocional e a cultura acrescenta à criatividade e às possibilidades de
se transformar o mundo num lugar bom de se viver para todas as pessoas”.
Fonte:
Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB
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