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25.06.2026 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante cerimônia de anúncios da Reforma Agrária para o Mato Grosso do Sul, no Distrito de Nova Itamarati, MS-164, km 40, Ponta Porã - MS Foto: Ricardo Stuckert / PR 25.06.2026 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante cerimônia de anúncios da Reforma Agrária para o Mato Grosso do Sul, no Distrito de Nova Itamarati, MS-164, km 40, Ponta Porã - MS Foto: Ricardo Stuckert / PR
10/07/2026

PCDOB DEFENDE NOVO CICLO DE DESENVOLVIMENTO SOBERANO EM PROGRAMA DE LULA

Walter Sorrentino detalha a contribuição ao plano de Lula. Documento aponta CT&I, reindustrialização e planejamento como eixos para um novo ciclo histórico.

Por Cezar Xavier

A poucos meses das eleições que definirão os rumos do país para o próximo mandato, o debate sobre o programa de governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ganha contornos estratégicos. Na mais recente edição do programa Entrelinhas Vermelhas, do Portal Vermelho, Walter Sorrentino, presidente da Fundação Maurício Grabois, detalhou a contribuição do PCdoB para o plano participativo da coligação. Sob o título “Rumos Soberanos para uma Nova Arrancada do Desenvolvimento”, o documento coloca a soberania nacional não apenas como uma bandeira, mas como a condição sine qua non para a democracia e a justiça social.

Para Sorrentino, o mundo vive uma desordem multipolar e uma nova fase de agressividade imperialista, o que exige do Brasil um projeto nacional maduro. “Não há como atender aos anseios do povo sem um forte desenvolvimento, e ele depende do papel do Estado Nacional”, afirmou, destacando que a soberania é o “sobrenome da nossa causa” neste momento histórico.

Os três vértices da transformação produtiva

Para organizar o pensamento estratégico e evitar a dispersão de políticas públicas, a contribuição do PCdoB estrutura-se em três vértices fundamentais. O primeiro é a elaboração de um Plano Nacional de Desenvolvimento com metas claras, modelos de financiamento e missões definidas, capaz de galvanizar todo o governo e criar um controle social sobre sua execução.

O segundo vértice é a reindustrialização em novas bases tecnológicas. Sorrentino alerta que o Brasil não pode tentar recuperar o tempo perdido apenas repetindo o passado; é preciso “queimar etapas” na dimensão tecnológica, aprofundando a Nova Indústria Brasil (NIB) com financiamento à altura.

O coração desse processo, e terceiro vértice, é a Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I). Para o dirigente, a CT&I é a principal força produtiva da contemporaneidade. O desafio brasileiro é transformar ciência em inovação e garantir acordos internacionais soberanos — especialmente no âmbito dos Brics e com a China — que assegurem a transferência de tecnologia e a proteção dos dados nacionais.

Meio ambiente como ativo e a vida do povo

A reportagem também abordou a interseção entre desenvolvimento e questão ambiental. Rompendo com a visão reducionista de que a preservação é um ônus, Sorrentino defende uma “perspectiva ecológica”, em que o meio ambiente é um ativo político, econômico e social. A transição energética e o combate às mudanças climáticas estão no centro do projeto, transformando a Amazônia e a matriz energética limpa do Brasil em fronteiras de inovação e bem-estar.

Tudo isso, contudo, está subordinado a uma “cláusula fundamental”: a construção de uma vida melhor para o povo trabalhador. Para o presidente da Fundação Grabois, isso exige enfrentamento direto ao regime macroeconômico vigente. Ele criticou a política de juros, que drena quase 9% do PIB para o sistema financeiro, engessando o orçamento e impedindo investimentos em áreas vitais, como a segurança pública.

Segurança, feminicídio e ameaças externas

A segurança pública foi apontada como uma das principais demandas da população e um tema de soberania. Sorrentino defendeu a criação de um Sistema Único de Segurança Pública (SUSP), com ministério próprio e integração entre União, estados e municípios.

O dirigente fez um alerta grave sobre as ameaças externas. Ele repudiou a postura do governo de Donald Trump e de setores imperialistas que buscam classificar o crime organizado no Brasil como “terrorismo”. Segundo Sorrentino, essa manobra é um expediente unilateral para justificar a extraterritorialidade de leis americanas e abrir portas para intervenções estrangeiras na soberania nacional, criando um “cinturão reacionário” na América do Sul. O enfrentamento ao crime, reforçou, deve ser feito de forma soberana, sem aumentar a violência contra as periferias.

A luta contra o feminicídio e a violência de gênero também foi destacada como um indicador civilizatório inegociável, reafirmando o papel histórico da bancada feminina do PCdoB e do partido na defesa dos direitos das mulheres e da saúde pública.

A disputa política e o novo ciclo

Ao traçar o horizonte para o próximo mandato, Sorrentino foi enfático ao defender a elevação da consciência política. Ele criticou o atual Congresso Nacional, transformado em uma “oligarquia política” com orçamento próprio via emendas, e defendeu que as reformas estruturais — como a reforma política e a revisão da autonomia do Banco Central — devem ser levadas à população, inclusive via plebiscitos.

“O último governo Lula tem que ser o inaugurador de um novo ciclo que dure 20, 30, 40 anos”, concluiu Sorrentino. Para ele, a vitória nas urnas em outubro dependerá da capacidade da esquerda em vocalizar as insatisfações populares, enfrentar o neoliberalismo e apresentar um projeto de nação que resgate o Brasil de sua condição semiperiférica, colocando-o no rumo do pleno desenvolvimento soberano.

Fonte: Portal Vermelho

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