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Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante Visita às instalações da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados de Sergipe (FAFEN-SE) por ocasião da Retomada das Operações. Foto: Ricardo Stuckert / PR Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante Visita às instalações da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados de Sergipe (FAFEN-SE) por ocasião da Retomada das Operações. Foto: Ricardo Stuckert / PR
19/06/2026

AVANÇO EM INFRAESTRUTURA NO BRASIL PROVA FORÇA DO PLANEJAMENTO ESTATAL

Novo PAC é o motor que reconstrói a soberania e a capacidade de planejamento do Estado, aponta economista Elias Jabbour.

Por Davi Dmolir Molinari

O relatório da China International Contractors Association (CHINCA) e da seguradora estatal chinesa Sinosure, que colocou o Brasil na liderança do Índice de Desenvolvimento de Infraestrutura de Países de Língua Portuguesa (BRIDi), ganhou uma leitura estratégica do economista Elias Jabbour. Para o professor da UERJ e especialista em desenvolvimento chinês, o reconhecimento internacional não é apenas um elogio à capacidade brasileira de executar obras, mas a confirmação de que o país está retomando algo que havia perdido nas últimas décadas: a capacidade de planejar o futuro com o Estado no comando.

O documento chinês, divulgado em junho durante o Fórum Internacional de Investimento e Construção de Infraestrutura em Macau, destacou o Novo PAC como principal impulsionador dos investimentos em infraestrutura no Brasil. O país apareceu isolado no topo do ranking entre as nove nações lusófonas, com destaque para a expansão em energia renovável, mobilidade e infraestrutura digital. Segundo Jabbour, o que os chineses estão observando não é apenas uma carteira de projetos, mas o reaparecimento de uma ideia que parecia esquecida no Brasil: a de que desenvolvimento é resultado de planejamento político, institucional e estratégico.

Fim da ilusão do mercado

“Não existe desenvolvimento nacional sem capacidade de planejamento. O Brasil passou décadas submetido à ideia de que o mercado, sozinho, resolveria seus gargalos estruturais. O resultado foi a desindustrialização, a deterioração da infraestrutura e a perda de capacidade de coordenação do Estado”, afirmou o economista.

Para Jabbour, o Novo PAC representa uma inflexão importante porque recoloca o investimento público e o planejamento estratégico no centro da agenda nacional. Não se trata, segundo ele, apenas de construir estradas, ferrovias ou linhas de transmissão, mas de criar as condições materiais para um novo ciclo de desenvolvimento econômico.

A lição que vem de Pequim

O especialista destacou que o fato de o reconhecimento vir justamente da China carrega um significado adicional. Os chineses, diz Jabbour, compreendem melhor do que ninguém o papel da infraestrutura como força produtiva. A ascensão da China, lembrou, não foi fruto de alguma mágica do mercado, mas de décadas de planejamento, investimento estatal e capacidade de execução de grandes projetos nacionais.

“Quando o relatório aponta o Brasil como líder em infraestrutura entre os países lusófonos, ele está reconhecendo algo maior: a reconstrução da capacidade do Estado brasileiro de projetar o futuro”, avaliou Jabbour.

O professor ressaltou ainda que o destaque dado pelo relatório à energia renovável, aos corredores ferroviários, à digitalização e aos data centers revela exatamente onde está a fronteira tecnológica da economia mundial. O Brasil possui vantagens extraordinárias nesses setores e precisa aproveitá-las de forma consciente.

Inversão da lógica da dependência

Um dos pontos centrais da análise de Jabbour diz respeito à natureza da cooperação sino-brasileira. Ele criticou a visão que ainda enxerga a relação com a China sob a lógica da dependência. Para o economista, a questão central não é a origem do capital ou da tecnologia, mas quem define as prioridades.

“Se o Estado brasileiro possui um projeto nacional e utiliza o capital, a tecnologia e a experiência chinesa para atingir seus objetivos, estamos diante de uma relação virtuosa de desenvolvimento”, afirmou.

Nesse sentido, o Novo PAC, na visão de Jabbour, não deve ser visto apenas como um programa de obras. Ele funciona como um instrumento de reorganização das forças produtivas nacionais e aponta para o que o economista chama de “economia do projetamento”: a capacidade do Estado de coordenar investimentos, induzir transformações estruturais e construir o futuro de forma consciente.

Saiba mais: Relatório chinês aponta Novo PAC como motor da infraestrutura do Brasil 

Infraestrutura e soberania

O professor da UERJ defende que o investimento em infraestrutura deve ser compreendido como parte de uma estratégia maior de afirmação da soberania nacional. Ao recuperar a capacidade de planejar e executar grandes projetos com recursos e mão de obra próprios, o Brasil reduz vulnerabilidades externas e ganha margem de manobra em um cenário internacional marcado por disputas geopolíticas e reconfiguração das cadeias produtivas globais.

“Os chineses estão observando no Brasil o reaparecimento de uma ideia que parecia esquecida: a de que o desenvolvimento é uma construção política, institucional e estratégica. Nenhum país se tornou desenvolvido sem planejamento. A China sabe disso. E o Brasil começa, novamente, a redescobrir essa verdade”, concluiu Jabbour.

A análise do economista reforça o entendimento de que o reconhecimento internacional obtido pelo Brasil no relatório chinês vai além de uma questão técnica de execução de obras. Ele reflete a retomada de uma visão de Estado que articula planejamento de longo prazo, investimento público e cooperação internacional subordinada aos interesses nacionais de desenvolvimento, autonomia e soberania.

Fonte: Portal CTB

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