Informativo
Submissão a Donald Trump e sabotagem ao Brasil começam a pesar contra Flávio Bolsonaro na disputa eleitoral. Foto: Ricardo Stuckert/PR
LULA AMPLIA VANTAGEM E COMEÇA MIGRAÇÃO DE VOTOS BOLSONARISTAS
Pesquisa
Vox mostra crescimento de Lula, recuo de Flávio Bolsonaro e avanço de Caiado e
Zema na disputa pelo eleitorado conservador.
Por Cezar
Xavier
A mais
recente pesquisa do Instituto Vox Brasil indica uma mudança relevante no
cenário da sucessão presidencial de 2026. O presidente Luiz Inácio Lula da
Silva alcançou 42,1% das intenções de voto no primeiro turno, abrindo vantagem
de 8,5 pontos percentuais sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL), que aparece
com 33,6%.
O movimento é significativo porque ocorre em meio a uma
recuperação gradual da aprovação do governo federal e após uma sequência de
episódios políticos que colocaram o bolsonarismo sob pressão. Desde meados de
maio, Lula avançou quase oito pontos percentuais, enquanto Flávio perdeu quase
três pontos, ampliando uma diferença que anteriormente era muito mais estreita.
Migração
de votos fortalece nomes da centro-direita
O levantamento revela um fenômeno que começa a ganhar força na
corrida presidencial: parte do eleitorado identificado com a direita parece
buscar alternativas fora do núcleo bolsonarista.
Os principais beneficiados são o governador goiano Ronaldo
Caiado (PSD) e o ex-governador mineiro Romeu Zema (Novo). Caiado alcança 6,9%
no primeiro turno e aparece em empate técnico com Lula em uma eventual segunda
rodada. Zema registra 5,1% e também reduz significativamente a distância em um
confronto direto com o presidente.
A evolução desses números sugere uma fragmentação do campo
conservador. Enquanto Flávio Bolsonaro perde apoio, candidatos da direita
tradicional ampliam espaço entre eleitores que demonstram resistência ao
governo Lula, mas também apresentam dúvidas sobre a viabilidade eleitoral do
bolsonarismo.
Efeito Trump e desgaste do bolsonarismo
A pesquisa foi realizada após a visita de Flávio Bolsonaro ao
presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e depois da decisão
norte-americana de classificar PCC e Comando Vermelho como organizações
terroristas.
Embora seja prematuro estabelecer uma relação direta entre esses
acontecimentos e a movimentação eleitoral, os números mostram que o senador não
conseguiu converter a exposição internacional em crescimento político. Pelo
contrário: o levantamento registra perda de apoio justamente no período em que
a agenda externa ganhou destaque.
Ao mesmo tempo, a defesa da soberania nacional diante das
ameaças de novas tarifas contra produtos brasileiros tornou-se um tema central
do debate político, favorecendo o discurso adotado pelo governo federal.
Lula
mantém força entre mulheres e baixa renda
A liderança do presidente continua sustentada por segmentos
decisivos do eleitorado. Entre as mulheres, Lula abre vantagem de mais de 15
pontos sobre Flávio Bolsonaro. Entre os eleitores com renda de até dois
salários mínimos, a diferença é ainda mais expressiva: 55,1% contra 23,5%.
O desempenho também permanece forte entre idosos e entre os
eleitores com menor escolaridade, grupos que historicamente apresentam elevada
participação eleitoral.
Já Flávio Bolsonaro mantém seus melhores resultados entre
homens, eleitores de renda mais alta e setores com maior escolaridade, mas
esses nichos têm se mostrado insuficientes para compensar as perdas registradas
em outras faixas do eleitorado.
Segundo turno reforça tendência de recuperação
No cenário de segundo turno, Lula aparece com 47,8% contra 41,3%
de Flávio Bolsonaro. O dado chama atenção porque representa uma reversão
completa do quadro observado em maio, quando o senador liderava numericamente a
disputa.
A pesquisa também mostra que quase 40% dos eleitores ainda
admitem mudar de voto até a eleição, indicando que o cenário permanece aberto à
argumentação de campanha. Ainda assim, os números atuais apontam duas tendências
simultâneas: o fortalecimento da posição de Lula e a crescente disputa, dentro
do campo conservador, pelos votos que tradicionalmente orbitavam em torno do
bolsonarismo.
Reconfiguração da disputa de 2026
Mais do que uma simples vantagem numérica de Lula, a pesquisa
sugere uma reconfiguração do tabuleiro eleitoral. O presidente consolida sua
liderança enquanto a direita vive um processo de reorganização interna.
O avanço de Caiado e Zema indica que uma parcela do eleitorado
conservador busca alternativas capazes de dialogar com a agenda econômica
liberal e com pautas da direita sem carregar o elevado índice de rejeição
associado ao sobrenome Bolsonaro.
Se essa tendência se confirmar nos próximos meses, a disputa
presidencial poderá deixar de ser apenas um confronto entre lulismo e
bolsonarismo para incorporar uma terceira variável: a concorrência pela
sucessão da liderança do campo conservador brasileiro, claramente em
derretimento em relação à família Bolsonaro.
Fonte:
Portal Vermelho
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