Informativo
GUEDES ANUNCIA ATAQUE A DIREITOS, ENTREGUISMO E CORTE DE GASTOS
Anunciado
como todo poderoso ministro da Economia de Jair Bolsonaro, Paulo Guedes
antecipou que o foco de sua atuação será o controle de gastos públicos. Adepto
da máxima liberal segundo a qual "quanto menos Estado, melhor", ele
confirmou que sua gestão aprofundará o programa de Michel Temer. Serão
prioridades a reforma da Previdência, as privatizações e o enxugamento da máquina
pública. Traduzindo: ataque a direitos do trabalhador, entreguismo e corte de
gastos sociais.
"O
programa econômico tem um diagnóstico claro. O Brasil teve 30 anos de expansão
de gastos públicos, descontrolados”, afirmou, em sua primeira entrevista após
divulgado o resultado das urnas. Ele falou no hotel Windsor Barra, no Rio
de Janeiro.
“Primeiro
grande item (dos gastos públicos) é a Previdência. Precisamos de uma reforma da
Previdência”, disse o economista. O próprio Bolsonaro já havia se referido às
mudanças na aposentadoria, assim como o seu vice, o general Hamilton Mourão.
O
novo governo não deve, contudo, colocar em votação o projeto apresentado pelo
governo Temer e que tramita no Congresso. A ideia é ou fazer modificações no
texto, ou elaborar uma nova proposta.
Inicialmente,
a intenção da equipe de Bolsonaro é a de aumentar a idade mínima de
aposentadoria para o serviço público de 60 para 61 anos, e o tempo de
contribuição de 35 para 36 anos. E criar uma regra progressiva, em que esse limite
aumente em mais um ano a cada período de tempo.
O
candidato do PSL propõe também introduzir o regime de capitalização, em que
cada pessoa é responsável por acumular sua própria reserva para a
aposentadoria. A proposta tem inspiração no modelo chileno, implantado durante
a ditadura de Augusto Pinochet e que é alvo de protestos massivos até hoje, já
que provocou o empobrecimento dos idosos do país.
Hoje,
o regime brasileiro é de repartição, no qual trabalhadores da ativa
custeiam a aposentadoria dos mais velhos, de forma solidária. Assim, nenhum
aposentado recebe menos que o salário mínimo.
Com
o novo modelo, o trabalhador passará a receber apenas a partir daquilo que
contribuiu. Se ao longo da vida não contribuiu muito, terá que se contentar em
amargar uma velhice na miséria. A ideia de Guedes é que, para quem não
conseguir poupar, o governo garanta uma renda mínima, que, contudo, seria menor
que o salário mínimo.
Especialistas
apontam que esse modelo, além de socialmente perverso, levaria ao colapso da
Previdência, pois acarretará diminuição das receitas do instituto
previdenciário, fazendo cair sua renda, mas mantendo as despesas.
Sobre
a reforma da Previdência, o futuro ministro da Casa Civil, o deputado
federal Onyx Lorenzoni (DEM-RS), defendeu nesta segunda (29) separar a
assistência social da previdência social. Atualmente, a Previdência Social
trata do pagamento de aposentadorias e de diferentes auxílios, como auxílio
doença e salário maternidade e inclui também, por exemplo, benefícios de assistência
social para idosos ou pessoas com deficiência de baixa renda.
PRIVATIZAR TUDO O QUE
FOR POSSÍVEL
Na
entrevista concedida no domingo, Paulo Guedes apontou ainda a venda do
patrimônio público como forma de reduzir a dívida pública, uma receita utilizada
por Fernando Henrique Carrdoso, na década de 1990, e que não deu resultados
positivos. Ao contrário. Não só o país vendeu seu patrimônio a preço de banana,
como a dívida se multiplicou no período.
"O
segundo grande item do controle de gastos públicos, é a despesa de juros. Vamos
acelerar as privatizações, porque não é razoável o Brasil gastar 100 bilhões de
dólares por ano em juros da dívida. O Brasil reconstrói uma Europa todo ano, o
Plano Marshal, que tirou a Europa da miséria do pós-guerra, o Brasil reconstrói
uma Europa por ano sem conseguir sair da miséria, então a política é
errada" disse Guedes.
ATAQUE AO DÉFICIT E AO
TRABALHADOR
De
acordo com ele, a terceira iniciativa prioritária é uma "reforma do
Estado", que reduza os gastos com a máquina pública. Segundo ele, haverá
um "ataque ao déficit fiscal" e a tentativa será no sentido de ter
superávit já em 2020, algo que, para se concretizar, exigiria um corte de
despesas tão profundo, que inviabilizaria a prestação de serviços públicos,
como saúde e educação. "Nós vamos ter que reduzir privilégios e
desperdícios”, disse. Em outras palavras, a ideia é aprofundar o ajuste
fiscal.
Guedes
também disse que a gestão Bolsonaro irá promover uma “abertura gradual” da
economia, o que tem preocupado o setor produtivo. A indústria brasileira teme
perder competitividade e que se aprofunde o processo de desindustrialização do
país, com a invasão de produtos importados. O cenário projetado representaria
empresas fechando e mais brasileiros sem emprego.
O
futuro governo pretende ainda extinguir o Ministério da Indústria e Comércio,
que irá ser incorporado ao tal Ministério da Economia de Guedes. Com vínculos
fortes com o setor financeiro, o grupo que chegará ao poder em janeiro quer
convidar um empresário para comandar a secretaria que ficará responsável pelas
políticas para a indústria. O titular, contudo, não deve ter relação com
entidades como a Confederação Nacional da Indústria.
"Aliás,
Paulo Guedes costuma referir-se à CNI como uma turma que ainda está 'nas
trincheiras da Primeira Guerra Mundial'. Ou seja, são empresários estão fora do
seu tempo, exageradamente protecionistas", informa o colunista Lauro
jardim, em O Globo, mostrando que o governo estará mesmo ao lado das
finanças e não so setor que gera emprego e faz girar a economia.
Guedes
também deixou claro que o ataque aos direitos trabalhistas iniciado na gestão
Temer terá continuidade. O argumento usado é o mesmo da atual gestão, que já se
mostrou falacioso. Segundo o futuro ministro, serão eliminados
"encargos e impostos trabalhistas sobre a folha de pagamento para gerar em
dois, três anos 10 milhões de empregos novos”.
A
promessa de redução do desemprego, alardeada por Temer, nunca se cumpriu, pelo
contrário. Qualquer melhora no mercado de trabalho tem se dado em cima de vagas
precarizadas e informais.
MERCOSUL NÃO É
PRIORIODADE
Sobre
o papel do Mercosul, o economista liberal aproximou-se do discurso do próprio
Bolsonaro, que tenta falsamente dividir o mundo e as relações internacionais
como se ainda estivésse em plena Guerra Fria. Disse que o Brasil ficou
"prisioneiro de alianças ideológicas" nos últimos anos. “Mercosul
quando foi feito (foi) totalmente ideológico. É uma prisão cognitiva, não será
conosco. Foi, no sentido de que só negocia com gente que tiver inclinações
bolivarianas”, disse.
Ao
ser questionado por uma repórter do jornal argentino Clarín se o Brasil
continuaria no bloco, Guedes respondeu: “Não vamos quebrar nenhum
relacionamento”. “Se eu só vou comercializar com Venezuela, Bolívia e
Argentina? Não. Nós vamos comercializar com o mundo, serão mais países. Nós
faremos comércio. E se eu quiser comercializar com outros países?”, respondeu,
mostrando desconhecimento sobre os países que integram o bloco formado por
Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. A Venezuela está suspensa e a Bolívia
não faz parte.
O
economista insistiu que o programa econômico será pautado pelo controle de
gastos e não pelo Mercosul. “É isso que você queria ouvir? Mercosul não será
prioridade”, disse ele, de forma agressiva à repórter argentina. De acordo com
ele, o seu estilo combina com o do presidente eleito. "A gente fala
verdade, não está preocupado em te agradar. Eu conheço esse estilo",
exaltou-se.
Fonte:
Portal Vermelho
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