Informativo
ALCKMIN E BOLSONARO REFORÇAM PROJETO TEMER DE PRECARIZAÇÃO DO TRABALHO
O
presidente da Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Adilson
Araújo, afirmou em entrevista exclusiva ao Portal Vermelho, nessa
quarta-feira (5), que de 2003 a 2014 o Brasil experimentou uma evolução nas
relações de trabalho que apontava para empregos de qualidade. Segundo o
dirigente, o governo de Michel Temer fez retroceder esse ciclo e promoveu, em
dois anos, um cenário de precarização.
Adilson
Araújo afirmou que as candidaturas à presidência de Geraldo Alckmin (PSDB) e
Jair Bolsonaro (PSL) são do campo de Michel Temer. “Não é só Henrique Meirelles
que é candidato do Temer, Alckmin e Bolsonaro também são e tantas outras
candidaturas camaleônicas”.
“A
agenda regressiva de Michel Temer, que aprofundou o desemprego e atinge 65
milhões de desalentados no país teve o PSDB e o centrão, que apoia Alckmin,
como líderes do projeto do Estado mínimo, privatizações, reforma trabalhista e
a defesa da reforma da Previdência”, argumentou Adilson.
Sobre
a candidatura de Bolsonaro, Adilson acrescentou. “É a mesma agenda do PSDB e do
centrão com viés fascista, autoritário, misógino e intolerante”. Ele alertou
ainda para as candidaturas de rótulo diferente mas com o mesmo conteúdo
governista. “O Partido Novo é um deles com agenda velha e retrógrada. Está ao
lado de outros que defendem o liberalismo e querem subordinar os interesses da
nação ao capital”.
TRABALHO DE QUALIDADE
O
tema emprego de qualidade foi levantado por Fernando Haddad terça-feira (5) em
visita aos trabalhadores da Mercedes-Benz e da Ford, do ABC paulista. O
ex-prefeito de São Paulo é candidato à vice-presidente na chapa do ex-presidente
Lula.
"Não
é qualquer tipo de emprego. Nós queremos gerar empregos de qualidade, com
formação profissional, com salário mais elevado", discursou Haddad.
Segundo o ex-prefeito de São Paulo, prevalece hoje no palácio do Planalto um
projeto de desmonte da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e da
Constituição Federal.
Adilson
reiterou que os números divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE) mostram que o saldo de dois anos de governo Temer caminha no
sentido contrário do trabalho de qualidade defendido por Haddad. Essa conta tem
efeito no bolso e na dignidade do trabalhador.
Se
comparado ao trimestre encerrado em julho de 2015, o Brasil viu crescer a taxa
nacional de desemprego (de 8,6% para 12,3%), ou seja, são 3,3 milhões a mais de
desempregados. No mesmo período somam-se 500 mil desocupados e 2 milhões de
empregos informais a mais.
Segundo
o Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), o trabalhador
teve perda média de R$ 14 reais no salário após a aprovação da reforma
trabalhista. “Impacto significativo para quem ganha salário mínimo”, disse
André Santos, técnico do Diap.
“Neste
cenário, é imposto ao trabalhador um emprego que foge ao conceito de trabalho
decente definido pela Organização Internacional do Trabalho (OIT). Para a
organização o emprego de qualidade é um emprego bem remunerado, que garante
salário digno, equidade e igualdade de oportunidades”, ressaltou Adilson
Araújo.
“O
trabalho intermitente, temporário, a terceirização sem limites não são
condições decentes de trabalho. Todas são mudanças inseridas pela reforma
trabalhista elaborada e sancionada pelo governo Temer com aval do PSDB, por
exemplo. Não é digno um trabalhador não receber sequer um salário mínimo e
viver de bicos”, exemplificou Adilson.
RETOMAR O CICLO
CIVILIZACIONAL
Na
opinião de Adilson, as eleições são a oportunidade de mudar o curso do projeto
de governo que foi implantado no país a partir do golpe de 2016 que afastou sem
crime de responsabilidade a presidenta eleita Dilma Rousseff. “A retomada do
crescimento econômico precisa estar pautada na geração de emprego, renda e
valorização do trabalho e do trabalhador”.
O
dirigente lembrou que nas gestões do ex-presidente Lula houve a maior
valorização do salário mínimo dos últimos 50 anos. “Naquele período foram
gerados empregos que responderam a uma defasagem histórica. Por mais de uma
década trabalhadores conseguiram reposição da inflação e aumento real de
salário”.
“O
trabalhador também ganhou na sua formação com as políticas educacionais como
Prouni, Pronatec, Fies, Enem. Tudo isso ajudou o trabalhador a potencializar a
qualidade do seu trabalho. Essa política de valorização do salário, das
condições de trabalho, da geração de empregos rebateu na economia e atingimos
um patamar de crescimento de 7,5% em 2010. Hoje com a dissolução dessas
políticas o rebatimento é negativo na economia”, comparou Adilson.
A
comparação de projetos começa a ser feita pelos trabalhadores, disse Adilson.
“A classe trabalhadora vai entendendo que é necessário dar um novo curso à
política. Ela não quer mais pagar o preço”. De acordo com o dirigente, o
resultado das pesquisas eleitorais são a prova disso.
Pesquisa
realizada entre os dias 1º e 2 de setembro mostram que Lula subiu para 37% pela
pesquisa do BTG Pactual. O resultado vem após o Tribunal Superior Eleitoral
(TSE) cassar registro da candidatura do ex-presidente. Números de 25 a 26 de
agosto mostravam Lula com 35%. Novas pesquisas aguardam posicionamento do TSE
para serem divulgadas.
“Se
divulgadas as pesquisas do Ibope teríamos mais uma prova de que se as eleições
fossem hoje Lula ganharia no primeiro turno. Isso só é possível porque Lula tem
um legado e é o legado que respalda a possibilidade de o Brasil retomar o rumo
da política de forma a contribuir para um novo estágio de desenvolvimento
focado em uma política em defesa da democracia, soberania e direitos do nosso
povo”, destacou Adilson.
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