Informativo

Foto: Ricardo Stuckert - PR Foto: Ricardo Stuckert - PR
23/07/2026

GOVERNO LULA LANÇA BRASIL SOBERANO 3 CONTRA NOVO TARIFAÇO DE TRUMP

Com R$ 18,5 bilhões, plano protege empresas e empregos diante das sobretaxas americanas. Crédito atende indústria, agronegócio e mineração.

Por Davi Dmolir

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta quarta-feira (22) o Plano Brasil Soberano 3, editado por Medida Provisória, com aporte de R$ 18,5 bilhões em crédito e apoio a empresas brasileiras afetadas pelo novo tarifaço imposto pelos Estados Unidos e por instabilidades geopolíticas internacionais. O anúncio ocorreu no Palácio do Planalto no mesmo dia em que entrou em vigor a sobretaxa de 25% determinada pelo governo estadunidense sobre parte das exportações nacionais.

Do montante total liberado, R$ 13,5 bilhões são provenientes do Tesouro Nacional, compostos por recursos não utilizados de linhas anteriores, enquanto os R$ 5 bilhões restantes derivam de fundos próprios do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Os valores serão distribuídos por um comitê interministerial de forma customizada, avaliando o impacto financeiro específico sofrido por cada setor da economia.

A nova etapa amplia significativamente o alcance do programa. Além da indústria de transformação, passam a ser contemplados exportadores do agronegócio, incluindo agricultura, pecuária, pesca, aquicultura e florestas plantadas, bem como cooperativas, associações, mineração e o setor de fertilizantes. Este último é considerado estratégico para a segurança produtiva do país. Os recursos disponibilizados poderão ser utilizados pelas empresas para capital de giro, aquisição de bens de capital, investimentos produtivos, inovação, adaptação de processos e prospecção de novos mercados globais.

Respostas sob medida

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, classificou todas as tarifas aplicadas pelos Estados Unidos como injustas e injustificadas. Segundo ele, o governo federal está estruturando respostas sob medida e rigorosamente proporcionais às necessidades de cada cadeia produtiva afetada, buscando evitar a desindustrialização.

Na mesma linha, o vice-presidente Geraldo Alckmin, ressaltou que o Brasil agiu rápido para minimizar os efeitos do tarifaço. Alckmin informou que o plano cria um seguro-garantia específico voltado para micro e pequenas empresas, elo mais vulnerável da cadeia. O vice-presidente também enfatizou os resultados positivos da diversificação comercial brasileira, citando que o recente acordo entre Mercosul e União Europeia já elevou as exportações do país em US$ 2 bilhões apenas nos primeiros sessenta dias de vigência.

Para o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, a segunda fase do Brasil Soberano foi de absoluto sucesso e serviu de base para a atual formulação. Ele avalia que o montante de R$ 18,5 bilhões disponibilizado agora é suficiente para atender integralmente todos os setores atingidos pelas medidas tarifárias americanas.

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços,  Márcio Elias Rosa reforçou a orientação central do presidente Lula diante da crise diplomática e comercial, que é manter o diálogo aberto e negociar constantemente. Ele destacou que 73% das 2.400 empresas que hoje exportam para os Estados Unidos já acessam outros mercados internacionais, um caminho de diversificação que o governo considera sem volta e fundamental para a blindagem da economia.

Histórico do programa

O programa Brasil Soberano foi instituído originalmente em agosto de 2025 como uma resposta imediata ao primeiro tarifaço estadunidense, que aplicou taxas abusivas de até 50% sobre produtos nacionais. A primeira fase utilizou R$ 19,5 bilhões para mitigar os danos ao parque fabril. A segunda etapa, lançada em março de 2026, mobilizou R$ 15 bilhões e ampliou o escopo para atender também empresas impactadas pelo prolongamento do conflito no Oriente Médio. A terceira fase, anunciada nesta quarta-feira (22), consolida a estratégia estatal de proteger a capacidade produtiva nacional e os empregos diante de medidas unilaterais estrangeiras.

‘Ninguém vai ganhar do Brasil mentindo’

Durante a cerimônia no Planalto, o presidente Lula ressaltou que momentos de crise geopolítica exigem coragem para buscar novas rotas comerciais e fortalecer a presença internacional do país. “Há males que vêm para o bem. Toda vez que tem uma crise, a sociedade sempre encontra um jeito de sair mais forte. Na economia, ao invés de chorar a crise, é preciso encontrar saídas”, afirmou.

Lula apontou que o Brasil Soberano 3 demonstra a resiliência da economia nacional. “Não há crise que impeça o Brasil de seguir crescendo. Mesmo com a decisão abrupta do governo americano, a gente tem condição de sair mais fortalecido. Saímos da mesmice. As pessoas estão aprendendo a conversar, estão vendo que existem outras moedas e outros idiomas, dando exemplo de um mundo multilateral”, declarou.

O presidente reforçou que o país continuará aberto ao diálogo, mas sem se submeter a imposições ou discursos falsos. “Ninguém vai ganhar do Brasil mentindo. Nós estamos na mesa de negociação, já mandamos vários documentos, mas nunca encontramos reciprocidade na conversa. Isso vai aumentar nosso antagonismo? Não, porque não vamos sair da mesa. Mas não vamos ficar passíveis de quem fica mentindo sobre nós”, pontuou.

Ao concluir, Lula reafirmou a estratégia pragmática de soberania e busca por novos parceiros comerciais. “Não tem veto, vamos procurar outros mercados. É assim que o Brasil vai negociar: vendendo e comprando de quem quer vender e comprar com a gente”, arrematou.

Fonte: Portal Vermelho

Veja mais