Informativo
INTENSIFICAR A LUTA PELO FIM DA ESCALA 6×1
Por Adilson Araújo, presidente da CTB
Os próximos dias serão decisivos na luta pelo fim da desumana
escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais sem
redução de salários.
Os grandes empresários e a extrema direita bolsonarista querem
evitar a qualquer preço e remeter às calendas gregas a votação do projeto que
contempla esta bandeira histórica da classe trabalhadora e que hoje corresponde
a um anseio profundo de dezenas de milhões de brasileiros e brasileiras.
O movimento sindical, o governo Lula e os aliados da classe
trabalhadora na sociedade e no Parlamento, pressionam em sentido contrário,
pois estão conscientes de que este é o momento certo para alcançar a vitória
nesta batalha estratégica para nossa classe trabalhadora e a sociedade
brasileira.
Conquista
civilizatória
Será uma conquista civilizatória, pois, conforme assinalou a
renomada revista britânica Financial Times,
o fim da escala 6×1 colocará o Brasil em linha com o chamado Primeiro Mundo,
onde, por sinal, hoje já se discute a Semana de 4 Dias, com uma escala de
quatro dias de trabalho e três de folga.
As jornadas extenuantes de trabalho estão sacrificando a saúde e a
vida da nossa classe trabalhadora: 70% dos trabalhadores e trabalhadoras
relataram casos de estresse no ambiente de trabalho; a síndrome de
burnout atormenta 30% da classe e o Brasil registrou 806.011 acidentes de
trabalho em 2025.
Essas estatísticas patológicas retratam uma classe trabalhadora exausta
e doente. Não é necessário grande esforço intelectual para deduzir que isso
impacta negativamente a produtividade do trabalho e a competitividade nacional.
Salários
miseráveis
Os trabalhadores e trabalhadoras da escala 6×1, e em geral os que
realizam jornada de 44 horas semanais (somando mais de 31 milhões de pessoas),
também são castigados pelos baixos salários,
pois ganham, em média, R$ 2.391,24 por mês, 57,7% menor que quem trabalha 40
horas semanais, segundo estudo do IPEA.
A maioria ganha entre um e um e meio salários mínimos, com 22%
recebendo apenas o piso nacional, situado muito abaixo do mínimo estabelecido
na Constituição, que, de acordo com cálculos do Dieese, seria de R$ 7.612,49 em
abril.
Esses trabalhadores e trabalhadoras vivem exaustos e eternamente
na corda bamba da ginástica da sobrevivência, tendo o tempo de vida quase todo
consumido na jornada de trabalho da qual extraem salários miseráveis, enquanto
grandes capitalistas como o bilionário Paulo Lemonn, um dos donos das Lojas
Americanas, constroem suas fortunas explorando mão de obra barata e promovendo
impunemente golpes de R$ 25 bilhões.
Antagonismo
histórico
É sempre bom lembrar, e verificamos isto hoje na prática desta
luta em curso, que, ao longo da história, o tempo de trabalho sempre foi objeto
de uma intensa luta entre a classe trabalhadora e a classe capitalista, a
burguesia.
Este antagonismo histórico encontra sua explicação no fato de que
é precisamente durante o tempo em que a força de trabalho assalariada pelo
capital é utilizada e atua no processo de produção que ocorre a agregação de
valor nas mercadorias e na economia em geral. Cria-se neste tempo tanto o valor
convertido em salários quanto a parte transformada em lucro.
A redução da jornada de trabalho sem redução de salários não virá
de mão beijada, ainda que objetivamente seja favorecida pelo desenvolvimento da
produtividade de trabalho, que por definição significa redução do tempo de
trabalho necessário para a produção e reprodução dos bens consumidos pela
sociedade.
Chegou a hora de redobrar os esforços de conscientização e
mobilização das bases e em todos os âmbitos, com o objetivo de pressionar o
Parlamento a votar e aprovar com toda urgência o fim da escala 6×1, com redução
da jornada sem redução de salários, frustrar as manobras para adiar a votação e
impor uma derrota histórica ao patronato e ao bolsonarismo.
Fonte: Portal CTB
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