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15.04.2026 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva durante reunião com Centrais Sindicais. Palácio do Planalto, Brasília-DF Foto: Ricardo Stuckert / PR 15.04.2026 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva durante reunião com Centrais Sindicais. Palácio do Planalto, Brasília-DF Foto: Ricardo Stuckert / PR
16/04/2026

CENTRAIS SINDICAIS UNIDAS ENTREGAM A LULA PAUTA COM HORIZONTE DE CONQUISTAS

Centrais entregam pauta comum ao governo, reforçam unidade e miram redução da jornada, direitos e regulação do trabalho diante das transformações econômicas.

Por Cezar Xavier

A Marcha da Classe Trabalhadora em Brasília reafirmou um elemento estratégico para o próximo período: a unidade em torno de uma pauta comum. Representantes de diversas correntes destacaram que a construção coletiva segue sendo o principal instrumento para transformar reivindicações em políticas públicas.

Em cerimônia no Palácio do Planalto, representantes das centrais sindicais entregaram ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Pauta da Classe Trabalhadora para 2026-2030. O ato, marcado pela unidade entre as organizações, projeta um ciclo de conquistas com foco na redução da jornada para 40 horas semanais sem corte salarial, regulamentação do trabalho por aplicativos e fortalecimento da negociação coletiva.

Ao receber o documento, o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, enfatizou o momento favorável, com geração de empregos, valorização salarial e retomada do diálogo institucional. Para ele, a articulação entre governo e movimento sindical cria condições concretas para avançar em direitos históricos, como a redução da jornada de trabalho.

Com unidade, diálogo e foco em conquistas concretas, as centrais sindicais projetam para a próxima década um ciclo de avanços que combina redução de jornada, valorização salarial, inclusão de novas categorias e defesa da democracia. A mensagem que ecoa do Planalto é de que, com organização e persistência, a classe trabalhadora segue escrevendo sua história de conquistas.

“Dia histórico”

O ministro Guilherme Boulos classificou como “histórico” o envio do Projeto de Lei que prevê a redução da jornada de trabalho o fim da escala 6×1 com urgência constitucional, estimando aprovação em até 90 dias. “Dois dias de descanso é uma questão de humanidade”, afirmou.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforçou que o avanço das propostas dependerá da correlação de forças e da mobilização social. Ele destacou que conquistas como a redução da jornada exigirão pressão organizada sobre o Congresso e diálogo com a sociedade.

Lula recebeu as propostas e reforçou o compromisso com a pauta, mas cobrou protagonismo das centrais na articulação política. “A luta não termina com isso, a luta começa com isso”, disse.

Unidade sindical como motor de avanços

Clemente Ganz Lúcio, do Fórum das Centrais, destacou que a pauta foi construída de forma unitária, “na base, nos sindicatos, nas ruas, nos locais de trabalho”. “Quando a classe trabalhadora se levanta, o Brasil avança”, afirmou.

O documento com 68 itens serve como referencial para orientar mobilizações e atuações institucionais em níveis nacional, regional e setorial, com prioridades definidas para 2026.

Pauta comum mira futuro do trabalho

A agenda apresentada para o período 2026–2030 combina demandas clássicas e novos desafios. Entre as prioridades imediatas estão:

·       Redução da jornada para 40 horas semanais sem redução salarial

·       Fim da escala 6×1

·       Fortalecimento da negociação coletiva

·       Regulamentação do trabalho por aplicativos

·       Combate à pejotização e fraudes trabalhistas

·       Enfrentamento ao feminicídio no mundo do trabalho

O documento também incorpora uma leitura estratégica das transformações tecnológicas, ambientais e demográficas. As centrais alertam que inteligência artificial, mudanças climáticas e novas formas de contratação exigem respostas coordenadas para garantir proteção social e qualidade de vida.

Veja a íntegra da Pauta da Classe Trabalhadora 2026-2030

Adilson Araújo: “O PL é soma de uma luta secular”

O dirigente da Centra de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Adilson Araújo, celebrou o envio ao Congresso do projeto de lei que acaba com a escala 6×1. “Considero também que o PL não é o PL do Lula. É a soma de uma luta secular, mas que nesse período mais recente atravessou a luta institucional”, afirmou.

Araújo citou estudos que indicam que a medida pode gerar 4 milhões de empregos e reforçou: “Isso importa muito a vida das pessoas”.

Em tom propositivo, o dirigente defendeu um pacto entre produção e trabalho, com foco no aumento da taxa de investimento — hoje em 16,8% do PIB, contra 25% em outros países.

“Nós precisamos ganhar mais. O PIB precisa aumentar no patamar de 2010”, disse, listando desafios estratégicos: energia limpa, neoindustrialização, inserção na cadeia global de valor e exploração sustentável da Margem Equatorial e da Amazônia Azul.

“Vamos brigar por um projeto nacional de desenvolvimento que tenha o fim da escala 6 por 1, mas que tenha juros moderados pra gente enfrentar essas grandes batalhas”, concluiu.

Aplicativos, jornada, feminicídio, negociação, pejotização e reorganização

Ricardo Patah, da UGT (União Geral dos Trabalhadores), cobrou avanço na regulamentação do trabalho por plataformas, destacando que jovens são os mais impactados. “Enquanto eu tô falando, tá morrendo um motoboy. Quem é que se preocupa com a saúde dessas pessoas?”, questionou.

Ele lembrou protocolo firmado entre Lula, Biden e a OIT para combater o trabalho precário e reforçou: “É fundamental preocupar com a vida, com a saúde, com a juventude, que significa o futuro do nosso país”.

Miguel Torres, da Força Sindical, lembrou que a última redução de jornada ocorreu em 1988 e cobrou aprovação rápida do PL. “É mais tempo para a família, é mais tempo para a saúde, é mais tempo para o lazer, é mais tempo para estudar”, afirmou.

Ele destacou que a experiência histórica mostra que “trabalhador mais contente, mais descansado, vai trabalhar mais e fazer melhor seu trabalho”.

Sônia Zerino, da NCST (Nova Central Sindical de Trabalhadores), destacou a inclusão do combate ao feminicídio como prioridade. “A cada dia morrem seis mulheres no nosso país vítimas de feminicídios. De 2015 a 2025, o feminicídio se potencializou em 190%”, alertou.

As centrais pedem apoio à ratificação da Convenção 190 da OIT, que trata do combate à violência e assédio no mundo do trabalho.

Representantes dos servidores públicos cobraram envio urgente ao Congresso de projeto que institui mesa permanente de negociação. “É o momento da gente encaminhar isto para o Congresso. Esse projeto está pronto”, afirmou.

Nilza Almeida, da Intersindical, defendeu a revisão dos marcos regressivos da reforma trabalhista de 2017 e o fortalecimento da negociação coletiva para incluir trabalhadores informais.

Antônio Neto, da CSB (Central dos Sindicatos Brasileiros), alertou para julgamentos no STF que podem legitimar a pejotização indiscriminada, mas reforçou o papel construtivo das centrais.

“Nós, das centrais sindicais, não estamos aqui apenas para denunciar, estamos aqui para construir. É na negociação coletiva que se constrói equilíbrio, é nela que se adapta à realidade sem destruir direitos”, afirmou.

O presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores), Sérgio Nobre, defendeu a reorganização do modelo sindical para incluir trabalhadores informais e reverter a fragmentação.

“Presidente Lula, aqui está o teu exército e nós vamos estar nessa batalha com você”, disse, projetando apoio nas eleições e confiança na continuidade das conquistas.

Mobilização aponta caminho para avanços

A entrega da pauta marca mais do que um ato institucional: consolida um ciclo de reorganização do movimento sindical. A presença massiva de trabalhadores e a convergência entre centrais indicam capacidade de articulação para enfrentar disputas no Legislativo e no Judiciário.

Com unidade, agenda definida e interlocução com o governo, o movimento sindical projeta um cenário de avanços graduais, em que a luta coletiva volta a ocupar o centro das transformações sociais.

Fonte: Portal Vermelho

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