Informativo
MARCHA DOS SERVIDORES EXPÕE RISCOS DA REFORMA ADMINISTRATIVA
Protesto
rechaça proposta de parlamentares da direita que, se aprovada, contribuirá para
a retirada de direitos e o desmonte de serviços e políticas públicas.
Por
Priscila Lobregatte
Servidores
públicos, lideranças políticas e sociais e militantes de entidades sindicais
realizaram uma marcha em Brasília nesta quarta-feira (29) contra a reforma
administrativa, que está em pauta no Congresso Nacional. Se aprovada, a
proposta poderá prejudicar os trabalhadores e o atendimento da população e
abrirá caminho para a entrega de serviços públicos, das três esferas, à
iniciativa privada.
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) — majoritariamente
apoiada por parlamentares de direita ligados aos interesses privados — foi
protocolada na sexta (24) pelo relator do grupo de trabalho sobre o tema,
deputado Pedro Paulo (PSD-RJ). O texto reúne uma série de medidas defendidas
por esses setores em diferentes projetos já apresentados.
A matéria é tida como uma das prioridades do presidente da Casa,
Hugo Motta (Republicanos-PB). O parlamentar confirmou, nesta terça (28), que o
texto poderá ser incluído em uma proposta cuja tramitação esteja mais avançada
na Câmara, a fim de agilizar sua aprovação.
“Essa PEC é a síntese da reforma do Estado nacional; é a
complementação de um pacote de maldades que vem sendo implantado desde 2016,
quando subtraíram o mandato da presidenta Dilma Rousseff. Essa proposta, tão
indigesta, representa a síntese de uma cartilha do mercado financeiro, que não
está preocupado com o povo”, disse Adilson Araújo, presidente da Central dos
Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), durante a marcha.
Araújo salientou que os defensores da proposta querem
transformar o Estado em balcão de negócios” e que a hora é de “reagir e
defender a Constituição Cidadã de 1988 e os direitos do povo brasileiro”.
Sérgio Nobre, presidente da CUT, destacou que o deputado Pedro
Paulo “quer enganar o povo dizendo que a reforma é para melhorar a vida do
servidor; se fosse, estaria discutindo com os servidores, e não apenas com os
setores patronais que claramente querem de volta a famigerada PEC 32”. A
proposta citada foi enviada em 2020 pelo governo de Jair Bolsonaro, mas sua
tramitação estava paralisada.
Nas
palavras da deputada Alice Portugal (PCdoB-BA) — que representou a Frente
Parlamentar do Serviço Público, da qual é coordenadora junto com o senador
Paulo Paim (PT-RS) — “esta marcha é uma resposta dos servidores a essa
tentativa da Faria Lima, dos grandes empresários, de receberem uma fatia do
setor público para auferir lucro para seus bolsos”.
Ela acrescentou que a proposta “não é uma reforma, mas a
demolição do serviço público”.
Boa para
quem?
Como tem ocorrido há anos, a proposta de reforma administrativa
é mais uma maneira de desmontar os serviços públicos e facilitar sua entrega à
iniciativa privada, sob a falsa justificativa da busca pela eficiência a baixo
custo.
A matéria em pauta propõe, entre outros pontos, uma avaliação do
desempenho dos servidores, a partir do estabelecimento de metas, com a
concessão de bônus. O que pode parecer um estímulo à melhoria do serviço, na
verdade, pode acarretar maior pressão política e assédio moral, comprometendo a
autonomia e a estabilidade do servidor público, elemento fundamental para o bom
funcionamento do atendimento à população.
Além disso, a PEC leva à flexibilização das regras de
contratação e demissão, o que pode aumentar o número de comissionados em
relação aos concursados, e abre cominho para mais parcerias com o setor
privado, contribuindo para a precarização e a mercantilização de serviços básicos
fundamentais, como os de saúde, educação e segurança pública. Há tempos,
setores empresariais parrudos estão de olho nesses e em outros nichos do
serviço público.
Na avaliação da bancada do PT na Câmara, a PEC tem um viés
fiscalista e punitivo. “Ao impor um teto rígido de despesas com pessoal para
União, estados e municípios, na prática inviabilizará reajustes salariais
necessários e investimentos em pessoal. A avaliação individual vinculada
exclusivamente à chefia imediata abre espaço para perseguições, assédio e
favorecimentos”.
Além disso, diz que “a possibilidade de extinção de cargos
ocupados por decreto põe em xeque a atuação imparcial e autônoma de servidores
em áreas estratégicas, como a defesa do meio ambiente” e que, no campo das
políticas públicas, a reforma “é temerária por prever uma revisão contínua de
gastos com foco na economia de recursos”.
Fonte:
Portal Vermelho
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