Informativo
É PRECISO REVOGAR OS RETROCESSOS NA LEGISLAÇÃO TRABALHISTA
Retrocesso imposto pelos governos
Temer e Bolsonaro precarizou empregos, enfraqueceu sindicatos e aumentou ações
na Justiça; mobilização é essencial para reverter o cenário.
Por Adilson Araújo
De acordo
com informações divulgadas pela mídia, o ministro do STF, Gilmar Mendes,
articula com parlamentares e representantes do sistema financeiro a aprovação
de um projeto de lei que restabelece a obrigatoriedade da intermediação dos
sindicatos nas homologações de rescisões de contratos de trabalho, que foi
extinta pela reforma trabalhista aprovada durante o governo do golpista Michel
Temer.
A justificativa apresentada pelo magistrado é a explosão de
novas ações na Justiça do Trabalho, que no ano passado alcançaram o maior
patamar desde 2017, quando a malfadada reforma foi aprovada pelo Congresso e
passou a vigorar. Ao todo, foram 2.117.545 novos processos em 2024, um salto de
14,1% em relação a 2023.
ESTÍMULO
À ILEGALIDADE
A ausência dos sindicatos no momento da homologação estimula o
patronato a atropelar direitos elementares dos trabalhadores e trabalhadoras,
deixando de realizar o pagamento da multa de 40% do FGTS, de verbas
rescisórias, de horas extras, de adicional de insalubridade ou periculosidade,
entre outros abusos.
Para resgatar seus direitos, resta aos assalariados – que desde
o governo Temer ficaram sem a assistência do sindicato no momento da rescisão –
apelar ao advogado e à Justiça do Trabalho. A precarização das relações entre
capital e trabalho, também turbinada pela mesma “reforma”, é outra causa
relevante do crescimento das demandas trabalhistas no Judiciário.
RETROCESSOS
A iniciativa de Gilmar Mendes é uma prova, entre muitas outras,
dos males que as mudanças impostas na legislação trabalhista pelos governos
Temer e Bolsonaro trouxeram não só para a classe trabalhadora como para setores
mais amplos da sociedade brasileira. Não é demais lembrar que tais mudanças
vieram na carona do golpe de 2016, que depôs a presidenta Dilma e que, já naquela
época, a CTB caracterizou muito apropriadamente como “o golpe do capital contra
o trabalho”.
O pacote de maldades contra a classe trabalhadora não ficou
restrito à exclusão dos sindicatos do das homologações, o que deixou o
empregado à mercê das arbitrariedades patronais.
Entre outros retrocessos cabe destacar a primazia do negociado
sobre o legislado, autorização para alongar a jornada de trabalho a 12 ou até
mais horas diárias, criação da infame modalidade de trabalho intermitente,
liberação do trabalho de mulheres grávidas em ambientes insalubres, redução do
intervalo para almoço, abolição da jornada in itinere e terceirização
irrestrita.
ENFRAQUECIMENTO
DOS SINDICATOS
Para coroar a obra reacionária e facilitar o trabalho dos
golpistas foi subtraído dos sindicatos, federações, confederações e centrais
trabalhistas a principal fonte de financiamento das lutas e atividades
lideradas por essas organizações: a Contribuição Sindical Compulsória, também
designada de Imposto Sindical.
Por sua vez, o governo neofascista de Jair Bolsonaro (para quem
o trabalhador teria de escolher entre ter emprego ou ter direitos) logrou
aprovar uma reforma da Previdência que tornou mais difícil o acesso à
aposentadoria, introduziu a idade mínima, acabando com a aposentadoria por
tempo de contribuição e ainda reduziu o valor dos benefícios.
FAKE NEWS
Para dourar a amarga pílula das mudanças introduzidas na
legislação, os protagonistas do golpe contra a classe trabalhadora prometeram
que a suposta modernização da lei resultaria na criação de pelo menos seis
milhões de novos postos de trabalho e melhoraria a vida de dezenas de milhões
de trabalhadores.
O tempo não demorou a revelar que o argumento era mais uma Fake
News, pois tudo que as reformas de Temer e Bolsonaro provocaram na prática foi
destruição de direitos, maior precarização dos contratos e enfraquecimento das
negociações coletivas e do movimento sindical. O desemprego, o subemprego e a
informalidade aumentaram exponencialmente durante os governos Temer e
Bolsonaro. A economia alternou estagnação com recessão e o Brasil caminhou para
trás.
Em nome dos interesses da classe trabalhadora e da nação é
necessário revogar os pacotes de retrocessos impostos pelos governos
neoliberais produzidos pelo golpe do capital contra o trabalho. Uma ampla
mobilização social será imprescindível para alcançar este objetivo, do qual o
movimento sindical brasileiro não deve abrir mão.
Fonte:
Portal Vermelho
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