Informativo
DESCONHECIMENTO SOBRE AÇÕES E FAKE NEWS IMPACTAM NA AVALIAÇÃO DO GOVERNO
Segundo pesquisa, 60% ignoram medidas
do governo Lula, fator que, junto com a máquina de desinformação da extrema
direita, influencia negativamente na percepção popular.
Por Priscila
Lobregatte
A série
de pesquisas da Quaest, divulgada nesta semana, reforça importantes sinais de
alerta (que não são novos) ao governo Lula. As respostas dadas pelos
entrevistados e a análise dos dados mostram um descompasso entre a situação
positiva vivida pelo país, de um lado, e a piora na avaliação, de outro, bem
como as razões para isso.
A explicação para esse cenário parece estar especialmente (mas
não só) no campo da comunicação, com elementos que vão desde o uso político e
enviesado de crises como a do INSS pela oposição bolsonarista nas redes sociais
até as dificuldades de comunicação existentes tanto por parte do governo quanto
do próprio presidente Lula.
Dentre os dados trazidos pelas pesquisas está a desaprovação de
57% ao governo (eram 56% na pesquisa de março) contra 40% de aprovação (eram
41% naquele mesmo mês).
Nesse universo, é importante salientar a análise feita por
Felipe Nunes, cientista político e CEO da Quaest: “Apesar da estabilidade nos
números, o contexto político mudou. O governo anunciou e começou a implementar
medidas que contam com 79% de aprovação entre quem as conhece, mas cerca de 60%
da população ainda desconhece essas ações. Esse desequilíbrio entre a ação e
percepção tem dificultado os avanços na avaliação do governo”.
Para exemplificar, eis alguns dos temas que tiveram a melhor
taxa de sucesso, extraída da relação entre o percentual dos que ouviram falar e
dentre estes, os que aprovam determinadas medidas. Sobre os benefícios e
isenções para motoristas de aplicativos, 32% ouviram falar e 28% aprovam, uma
taxa de sucesso dentre as mais altas, de 0,88.
A linha de crédito para reformas do Minha Casa, Minha Vida, por sua vez, tem conhecimento de 40% e destes, aprovação de 35%, índice de sucesso igual ao anterior. Já o novo Vale Gás é conhecido por 59% e, nesse grupo, tem 49% de aprovação, taxa de sucesso de 0,8.

Esses casos, entre outros levantados pela pesquisa, indicam
haver um imenso universo de desconhecimento das ações por parte de pessoas que,
se souberem, certamente as aprovarão — mesmo considerando que nem todas serão
diretamente beneficiadas pela totalidade das medidas.
Quanto à percepção sobre a economia, o índice melhorou bastante,
mas também há terreno a ser conquistado, já que não faltam marcadores
positivos, tais como o baixo desemprego e a evolução nos ganhos das famílias.
Conforme o levantamento, a avaliação de piora nesse campo caiu de 56% para 48%.
Também melhorou a forma como as pessoas sentem a inflação em seu
dia a dia. A percepção da alta nos preços dos alimentos caiu de 88% para 79%,
assim como caiu de 70% para 54% o percentual dos que apontam o preço da
gasolina como um problema.
Na avaliação de Nunes, “o principal fator que explica essa
contradição entre melhora econômica parcial e alta desaprovação do governo Lula
tem a ver com o ambiente informacional. A quantidade de notícias negativas
sobre o governo foi mais do que o dobro das positivas no período. E entre os
temas negativos mais lembrados está o escândalo do INSS”.
Quando questionados sobre se têm visto mais notícias positivas
ou negativas a respeito do governo, apenas 19% apontam a primeira alternativa e
50%, a segunda. Outros 28% dizem não ter visto notícias.
Nesse ponto, fica patente que o governo, de fato, deve “se
mostrar mais” para a população, como também precisa reverter o bombardeio da
máquina da extrema direita, hábil em disseminar, de maneira rápida e ampla,
todo tipo de mentiras e manipulações com feições verossímeis.
Em pergunta estimulada sobre se o entrevistado tomou
conhecimento sobre as fraudes no INSS, 82% dizem que sim, enquanto 18%
afirmaram que não. Para 31%, o principal responsável é o governo; 14% indicam o
INSS e um considerável universo de 26% não soube ou não quis responder. Com
base nesses números, observou Nunes, “a repercussão foi duas vezes maior que a
das políticas públicas anunciadas”.
ARSENAL
BOLSONARISTA
Se de um lado é verdade que questões como a inflação dos
alimentos pesaram no dia a dia da população, por outro também é fato que tudo o
que há de negativo é amplificado e o que é positivo é escondido ou deturpado
nas redes oposicionistas — com apoio, claro, de parte da mídia. Nesse sentido,
merece destaque conhecer o funcionamento da engrenagem bolsonarista — o Vermelho mostrou, aqui, estudo que evidencia
como ela se estrutura.
Focando especificamente nas situações mais recentes que criaram
maior desgaste ao governo, vale destacar o escândalo do INSS, a inflação dos
alimentos e a “crise” do Pix — um típico caso de manipulação da verdade.
No final de abril, a consultoria Palver apurou que postagens
relativas à fraude nas pensões e aposentadorias atingiram seu pico nos
ambientes virtuais bolsonaristas no dia 24 daquele mês, dia seguinte à
deflagração da Operação Sem Desconto, que descortinou o escândalo. Naquele
momento, 367 a cada 100 mil publicações em canais do Whats App e Telegram
mencionavam o assunto.
Conforme noticiou a coluna de Mônica Bergamo, na Folha
de S.Paulo, sobre o levantamento “em ao menos 80% dos conteúdos
circula a frase ‘sindicato do irmão de Lula’. A segunda expressão mais
recorrente é ‘Lula ladrão’”.
Em fevereiro, medição feita pela mesma consultoria havia
detectado uma mudança de foco em boa parte dos ataques da oposição nas redes.
Os assuntos favoritos deixaram de permear a pauta de costumes e passaram a
focar especialmente as questões de âmbito econômico, uma clara escolha para
desgastar uma área que vai bem.
Segundo dados dessa pesquisa, divulgada por O
Globo, “no WhatsApp, as ocorrências ligadas à pauta econômica (141)
representam quase o triplo (52) das discussões e críticas do campo conservador
(52). A maior diferença numérica, no entanto, aparece nas publicações do
TikTok: foram 1.337 referências à economia contra 657 à agenda de costumes, a
cada 100 mil posts”.
No universo econômico, os temas que mais engajavam naquele
momento eram a inflação, cujo pico foi de 1.337 menções no TikTok, seguido pelo
discurso falacioso em torno do Pix, com 1.150 na mesma rede.
Reportagem do The Intercept divulgada
nesta quinta (4) mostrou que a extrema direita prepara-se para ir muito além
desse ferramental. Conforme relato do jornalista Sérgio de Souza, que
participou do 2º Seminário Nacional de Comunicação do PL de Bolsonaro, no dia
30, “as big techs estavam ali em peso, abençoando o evento e compartilhando com
os participantes o ‘caminho das pedras’ para usar suas ferramentas mais novas e
poderosas”.
Um dos focos era aprofundar o uso da inteligência artificial —
que, sem regulação, é um prato cheio para manipulações perfeitas — e nada mais,
nada menos do que nomes da Meta (dona do Facebook, Instagram e WhatsApp) e do
Google foram chamados a palestrar. A situação é mais uma a mostrar de que lado
essas empresas (e seus algoritmos) estão.
REFLEXOS
E DESAFIOS
Com tudo isso — e mais as dificuldades de comunicação do próprio
governo —, não se admira que a avaliação da atual gestão e do presidente tenha
ficado aquém do esperado, se refletindo, também nos humores para 2026.
No caso da intenção de voto para as próximas eleições, ainda
segundo a Quaest, apesar de Lula ter empate técnico com alguns dos principais
postulantes da direita no segundo turno, ele ainda está percentualmente à
frente de Michelle Bolsonaro (43% a 39%) e dos governadores Tarcísio de Freitas
(41% a 40%), Ratinho Jr. (40% a 38%) e Eduardo Leite (44% a 35%).
Num cenário remoto com Bolsonaro — já que o ex-presidente está
inelegível e prestes a ser punido pela tentativa de golpe —, o percentual seria
de 41% a 41%.
Reverter os impactos da nefasta máquina bolsonarista — que joga
com elementos antiéticos e conta com a ajuda dos algoritmos para disseminar
seus conteúdos mais amplamente — não é fácil, mas o governo tem boas armas para
lutar.
Além de avanços reais na economia e no âmbito social, tem o
trunfo chamado Lula. Segundo noticiado nesta quinta-feira (5) pela Folha
de S.Paulo, pesquisa encomendada pelo Palácio do Planalto mostra
que a grande maioria dos entrevistados quer ouvir mais o presidente.
“Na interpretação de assessores, o resultado sugere que as
mensagens do governo não têm chegado ao público e que haveria espaço para uma
ofensiva concentrada na figura de Lula”, diz a publicação.
Afinal, trata-se de um capital político e tanto. Não é qualquer
líder político que tem a força de Lula, que se elegeu três vezes e enfrentou a
força do antipetismo, os desvios e abusos da Lava Jato, uma prisão arbitrária e
o uso imoral da máquina pública pela extrema direita em 2022. Fortalecer Lula
agora, aproximá-lo ainda mais do povo e mostrar as conquistas de seu governo é
urgente para garantir sua quarta vitória em 2026.
Fonte:
Portal Vermelho
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