Informativo
MANIFESTO DAS MULHERES DAS CENTRAIS SINDICAIS CONTRA O PL 1904/2024
Nós, mulheres
trabalhadoras, sindicalistas que compomos o Fórum Nacional de Mulheres
Trabalhadoras das Centrais Sindicais – FNMT/CS, vimos a público para repudiar a
proposição do PL 1904/2024, de autoria do Deputado Federal Sóstenes Cavalcante
(PL/RJ).
Temos convicção que
não podemos retroceder em leis que foram formuladas no passado, no código
penal, para proteger crianças, meninas e mulheres em seu direito a vida que é
claro: estupro é crime e deve ser garantido o direito ao aborto as vítimas nos
casos, fetos anencéfalos e risco de morte para a mãe.
Esse famigerado PL
propõe a equiparação do aborto ao crime de homicídio, com pena de 20 anos as
vítimas e 10 anos aos estupradores. Uma evidente insanidade e desrespeito aos
direitos humanos.
O Projeto é de
caráter reacionário, misógino, tenta mais uma vez criminalizar mulheres que
recorrem à interrupção da gravidez, tirando inclusive, o pouco direito
conquistado. É preciso esclarecer que o direito ao aborto e não deve ser
tratado como uma questão religiosa! Ele, antes de tudo, diz respeito a uma
questão de saúde pública. O estado democrático de direito se baseia na
laicidade, assegurando que as leis não sejam vinculadas a dogmas religiosos de
qualquer espécie.
É importante
reforçar que mulheres pobres, que não dispõem de recursos para pagar clínicas
seguras, são as principais penalizadas. Muitas mulheres que recorrem ao aborto
são menores de idade, vítimas de violência e estupro. O PL é um ataque ao
direto à vida, pois se trata de uma violência contra as mulheres. É
inacreditável que esse tipo de pauta seja proposto e discutido no parlamento
brasileiro.
Consideramos,
inclusive, que tal ataque não é apenas ao direito reprodutivo e à liberdade da
mulher, é um enorme retrocesso à toda luta em combate a violência contra a
mulher e à cultura do estupro. É inadmissível que se conjecture a possibilidade
de que mulheres e meninas estupradas sejam criminalizadas e penalizadas com
pena maior que a de seu estuprador.
Esse PL, deve ser
rechaçado por toda a população brasileira, porque além de ferir a legalidade, o
direito, à vida das mulheres e meninas, ele também se trata de uma apologia ao
estupro, dada a sua atenuação.
Em 2022 foi
registrado o maior número de estupros de vulneráveis na história do Brasil.
Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, seis em cada dez vítimas
tinham até 13 anos de idade e em sua maioria do sexo feminino e negras.
Segundo o DATASUS, a
cada ano, uma média de 20 mil meninas entre 8 e 14 anos são obrigadas a
assumirem uma maternidade decorrente de violência sexual, comumente incestuosas
que se reitera pela frequência e pelas barreiras em relação ao acesso ao aborto
legal.
As mulheres
sindicalistas das Centrais Sindicais reafirmam seu intransigente compromisso em
defesa das crianças, meninas e mulheres vítimas de estupro e solicita a
imediata retirada do PL 1904/2024 da pauta, considerada um grave retrocesso a
democracia e risco a vida, a saúde e a dignidade humana, em especial das
meninas e mulheres do Brasil, população historicamente vulnerável.
NÃO AO PL 1904/2024
CRIANÇA NÃO É
MÃE, ESTUPRADOR NÃO É PAI.
São Paulo, 18 de junho de 2024.
Amanda Corsino, Secretária Nacional da Mulher Trabalhadora da CUT
Antonieta Cassia Dorleto de Faria, Secretária Nacional da Mulher
Trabalhadora da CSB
Celina Arêas, Secretária Nacional da Mulher Trabalhadora da CTB
Maria Auxiliadora dos Santos, Secretária Nacional de
Política para mulheres e gênero da força sindical
Maria Edna Medeiros, Secretária Nacional da Mulheres da UGT
Nilza Pereira de Almeida- secretária geral da Intersindical-CCT
Patrícia Andréia Carreteiro, Secretária Nacional de Políticas para
Mulheres Intersindical
Sonia Maria Zerino da Silva, Secretária Nacional para Assuntos da Mulher
da NCST
Fonte: Portal CTB
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