Informativo
LULA ANUNCIA R$ 5,1 MIL PARA CADA FAMÍLIA E AMPLIA ACESSO A MORADIA NO RS
Presidente lança novas ações para garantir recursos e casa para a
população atingida pelas enchentes e critica “nojeira” das fake news e de
“vândalos que não fazem política”.
Por Priscila Lobregatte
O presidente Luiz
Inácio Lula da Silva anunciou, nesta quarta-feira (15), em São Leopoldo, novas
medidas para a reconstrução do Rio Grande do Sul. Entre elas, o pagamento de R$
5,1 mil para famílias que perderam tudo pelas inundações, além de novas
modalidades de concessão imediata de moradias pelo Minha Casa Minha Vida.
Lula também visitou
um abrigo para 1,5 mil pessoas na Unisinos e assinou a medida provisória que
cria a Secretaria Extraordinária para Apoio à Reconstrução do RS, liderada pelo
ministro da Comunicação Social, o gaúcho Paulo Pimenta. Esta é a terceira vez
que o presidente vai ao estado desde que as chuvas tiveram início.
Os anúncios foram
feitos pelo ministro da Casa Civil, Rui Costa. Segundo ele, o valor total
estimado para o benefício de R$ 5,1 mil é de R$ 1,2 bilhão, que servirá ao
atendimento de pouco mais de 200 mil famílias.
Além disso, os
atingidos poderão sacar seu FGTS até o valor de R$ 6.220, sem o intervalo de 12
meses entre um saque e outro, para não prejudicar aqueles que também foram
afetados pela tragédia do ano passado, no Vale do Taquari.
Leia também: Famílias
de Brumadinho destinam indenização às vítimas das enchentes no RS
Outra medida
anunciada foi a antecipação, para o dia 17, do pagamento de todos que recebem o
Bolsa Família no estado, com a incorporação de 21 mil famílias, identificadas
via busca ativa nos abrigos e nas cidades, via assistência social dos
municípios.
O calendário do
abono salarial também foi antecipado para pagamento imediato e foi anunciada a
liberação de duas parcelas adicionais do seguro-desemprego.
Além disso, em 31 de
maio, sairá o primeiro lote de restituição do Imposto de Renda de todos do RS
que o tenham declarado até lá — estima-se que o valor total fique em torno de
R$ 1,1 bilhão. Tais medidas, salientou o ministro, ajudam as pessoas a
retomarem suas vidas e injetam dinheiro na economia local, também bastante
combalida devido às enchentes.
MORADIAS
Outro destaque dos
anúncios está na facilitação de concessão de moradias para as pessoas que
perderam suas casas. Conforme informado, quem tiver uma habitação financiada
via FGTS ou pelo Minha Casa Minha Vida terá o pagamento das parcelas suspenso
por seis meses nas cidades atingidas.
Além disso, conforme
informou o ministro, pelas regras vigentes, as pessoas que estão em débito com
o financiamento imobiliário só podem pagar o equivalente a, no máximo, seis
prestações em atraso das suas dívidas. Agora, no caso do RS, o governo está
ampliando para até 12 parcelas e novos contratos de financiamento terão
carência de 180 dias.
Outra ação
importante para garantir moradias com rapidez é a compra assistida de imóveis
usados, busca de imóvel pelo beneficiário e/ou chamamento público de
interessados em vender imóveis. A Caixa Econômica Federal ficará responsável
por fazer a avaliação do valor do imóvel. O governo também prevê a aquisição de
imóveis em processo de leilão da Caixa e Banco do Brasil que estejam
desocupados.
Leia também: Governo
Lula suspende a dívida do Rio Grande do Sul por três anos
No site do
Ministério das Cidades, as prefeituras devem informar se precisarão de casas, a
quantidade, localidades e o que precisam para repor as casas perdidas nas
enchentes.
Outra iniciativa é a
aquisição de imóveis de construtoras já em obras ou concluídos e o
aproveitamento de propostas inscritas e não selecionadas no Minha Casa, Minha
Vida em 2023. Para os casos que não foram contemplados nas anteriormente
citadas, uma nova seleção do MCMV para os municípios será realizada.
De acordo com o
ministro, também está sendo considerada a possibilidade de, caso necessário,
ser feita a adaptação de prédios comerciais para moradia, a partir da
identificação dos locais pelos prefeitos.
Do ponto de vista
estrutural, Rui Costa destacou o governo federal vai apoiar prefeituras para o
conserto de sistemas de proteção de enchentes e de bombas, de maneira a
agilizar a retirada das águas das cidades. Disse, ainda, que escolas, creches e
postos de saúde serão repostos em parceria com os municípios e governo do
estado.
Por fim, anunciou
que um estudo está sendo contratado e outros já feitos serão considerados para
o planejamento de programas de contenção de enchentes e desastres dessa
natureza.
CUIDAR DO POVO NÃO CUSTA CARO

O presidente Lula iniciou sua fala destacando o
papel dos voluntários no socorro e auxílios aos atingidos. Para ele, o trabalho
que fizeram mostra que é possível continuar acreditando “numa humanidade mais
humana, sensível, fraterna e solidária”.
Isso é possível, disse, “apesar da nojeira das
fake news, apesar da nojeira do comportamento de alguns vândalos que não fazem
política, que não discutem política, que não argumentam, que só querem
destratar a vida dos outros, ofender, achincalhar as pessoas”. Esse tipo de
gente, completou, “mais dia, menos dia, vai ser banida da política
brasileira”.
Ao tratar da relação entre os Três Poderes
neste momento de catástrofe, afirmou: “Embora sejamos poderes autônomos,
devemos funcionar como uma orquestra. A gente não deve se encontrar apenas em
jantares, de vez em quando, ou para fazer um ato solene. É importante que a
gente se encontre diante da amargura do povo brasileiro”.
O presidente salientou ser preciso mudar o
jeito de governar no país. “Espero que, o que estamos fazendo aqui, sirva de
modelo para um outro padrão de relacionamento entre os entes federados. O
problema de uma cidade não é o problema de uma cidade, é do estado, é do
governo federal, da nação”.
Para ele, “as coisas têm que funcionar porque
se não, a gente perde credibilidade, se não as pessoas deixam de acreditar nas
instituições, na democracia, nos governantes”.
Ele também criticou a tendência dos governos
protelarem a tomada de medidas para evitar esse tipo de desastre. “Já houve
várias enchentes, e a gente vai sempre contemporizando, não faz definitivamente
as coisas porque custa caro. O prejuízo que o estado teve até agora não deverá
ser nem a metade do que custaria ter resolvido esse problema definitivamente
antes”. E completou: “cuidar do povo não custa caro; custa caro não
cuidar”.
O presidente também agradeceu o empenho das
Forças Armadas no socorro ao RS e criticou o comportamento de parte delas no
governo passado. Disse, ainda, estar cansado do processo de avanços e
retrocessos vivenciado pelo Brasil.
“Este país, em 2010, chegou a ser a sexta
economia do mundo; a economia crescia a 7,5%, o varejo chegou a crescer 13%,
acabamos com a fome. Eu voltei 15 anos depois e o Brasil tinha se tornado a 12ª
economia, a fome tinha voltado para 33 milhões de pessoas e esse país era o
mais desprezado no mundo por causa do comportamento político de um incivilizado
que chegou à presidência da República. Espero que estejamos dando uma
contribuição para um novo jeito de fazer política neste país”.
O ato teve as presenças de ministros,
representantes do judiciário, parlamentares governistas e da oposição e
autoridades locais. Entre os presentes estavam os titulares da Saúde, Nísia
Trindade; da Fazenda, Fernando Haddad; do Meio Ambiente, Marina Silva; das
Cidades, Jader Filho; da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes;
do Desenvolvimento Social, Wellington Dias e da Gestão, Esther Dweck, além do
presidente do STF, ministro Luís Roberto Barroso e do governador Eduardo
Leite.
Fonte: Portal Vermelho
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