Informativo
ADILSON ARAÚJO: PRECISAMOS DE MAIS CANDIDATOS DO NOSSO CAMPO
Por André
Cintra
Derrotar Jair Bolsonaro nas eleições
presidenciais de 2022 é a prioridade do movimento sindical neste ano de
eleições gerais. Mas, segundo Adilson Araújo, presidente da CTB (Central dos
Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil), é preciso viabilizar candidaturas do
campo democrático e progressista também na disputa ao Congresso Nacional. Em
sua opinião, um “programa de reconstrução” requer a participação dos
trabalhadores.
“O governo Bolsonaro é o principal obstáculo
a ser removido – não temos outro caminho para tirar o Brasil do atoleiro. Mas,
nas outras batalhas eleitorais, temos de lançar e eleger candidatos do nosso
campo, vinculados às lutas da classe trabalhadora”, afirmou Adilson. “Somente
uma bancada expressiva com esse perfil vai responder às demandas dos
trabalhadores.”
Para o presidente da CTB, a agenda unitária
em 2022 deve ir além do 8 de Março, da Conclat (Conferência Nacional da Classe
Trabalhadora) e do 1º de Maio – Dia do Trabalhador: “Que o sindicalismo e os
movimentos sociais construam grandes comitês de campanha em todo o Brasil. Em
vez de ficar parado em frente à tela do computador, o candidato deve ir para o
corpo a corpo, disputar o voto, estar presente nas ruas, no jogo de futebol,
nas igrejas”.
Nesta quinta-feira (27), Adilson participou
do painel “Lugar da Classe Trabalhadora na Reconstrução do Brasil e os Desafios
para Derrotar o Bolsonarismo”. Parte da programação do Fórum Social das
Resistências, a atividade contou com a participação do sociólogo Clemente Ganz
Lúcio (Fórum das Centrais Sindicais) e do jornalista Altamiro Borges (Centro de
Estudos de Mídia Alternativa Barão de Itararé).
O dirigente cetebista lembrou que o “ciclo
mudancista inaugurado por Lula” trouxe “mudanças de grande impacto” para o povo
brasileiro. “Tiramos 40 milhões de pessoas da pobreza. Trabalhadores tiveram
uma década de ganho real. O consumo aumentou. Os pobres ocuparam as
universidades, foram viajar”, exemplificou. “Mas tudo isso foi insuficiente
para uma contraofensiva ao golpe de 2016.”
Adilson defendeu dois movimentos eleitorais
simultâneos. Além de garantir candidaturas competitivas que realmente
representem os trabalhadores, ele frisou a necessidade de “politizar” cada vez
mais os brasileiros. A seu ver, a nova edição da Conferência Nacional da Classe
Trabalhadora (Conclat), prevista para abril, pode contribuir para a realização
desses objetivos.
Adilson traçou um paralelo entre a primeira
Conclat, em 1981, e a próxima. “Há 40 anos, o objetivo principal era ajudar pôr
fim à ditadura e edificar um Estado de Bem-Estar Social, com conquistas para a
classe trabalhadora. A retomada da democracia levou à conquista da
“Constituição Cidadã” de 1988, que teve, entre outros avanços, o SUS (Sistema
Único de Saúde)”, explicou.
Agora, com a convocação da Conclat 2022, a
diretiva é “encontrar os caminhos possíveis para reconstruir o País” após os
retrocessos acumulados desde o golpe. “Sofremos uma derrota estratégica, que
impôs uma difícil correlação de forças – um quadro de defensiva. Mas temos dado
passos importantes para a reconstrução do País”, diz Adilson.
Entre esses passos, ele destacou a provável
formação de uma federação partidária que reúna PT, PSB, PCdoB e PV. “Para
elaborar um projeto nacional de desenvolvimento, devemos ter muita unidade
programática.” Ao mesmo tempo, sem amplitude, não se mudará a correlação de
forças. “Debatemos, num seminário na Fundação Perseu Abramo, a contrarreforma
trabalhista que ocorreu na Espanha. Um ministro do governo nos relatou que,
além do compromisso do governo de coalização, também foi preciso construir uma
maioria política.”
A América Latina é outra região que se
levanta contra o neoliberalismo. “Essas últimas eleições, em países como
Honduras, Chile e Peru, apontaram para um redesenho do continente. O Brasil vai
seguir essa trilha”, disse o presidente da CTB. “No Brasil, quebra do monopólio
das ruas, a partir de maio de 2021, com os atos da Campanha #ForaBolsonaro. Mas
temos de apostar ainda mais na radicalidade consequente.”
Conforme estimativa do FMI (Fundo Monetário
Internacional), o Brasil deve crescer apenas 0,3% em 2022. Os defensores do
ultraliberalismo continuarão a propagandear que “o custo da Constituição não
cabe no orçamento da União” – uma lógica que, segundo Adilson, não pode
prevalecer. “Como se não bastassem as contas da reforça trabalhista, da
terceirização geral e irrestrita, da Emenda Constitucional 95 e da reforma da
Previdência, o governo insistindo num programa de ‘simplificação e
desburocratização’. Já são três anos que os trabalhadores perdem direitos e não
tem ganhos.”
O que o governo Bolsonaro efetivamente quer –
e já demonstrou por meio do Gaet (Grupo de Altos Estudos do Trabalho) – é
avançar na precarização. “As propostas do Gaet, se aprovadas, vão legalizar o
trabalho análogo à escravidão, liquidar a CLT e asfixiar totalmente o movimento
sindical. Para lutar contra isso, temos que ampliar o leque de forças e
alianças, caminhar juntos, fazer de tudo para evitar dispersão.”
Sobre a plataforma a ser construída rumo às
eleições, Adilson elenca alguns pontos. “Nosso projeto nacional de
desenvolvimento deve prever retomada dos investimentos públicos, geração de
emprego e renda, enfrentamento à política de juros e inflação acelerada,
combate à carestia e à alta do gás e do combustível. A ruptura é mais do que necessária.”
Fonte:
Portal CTB
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