Informativo
NIVALDO SANTANA: A PAUTA DO SINDICALISMO INTERNACIONAL
Por André Cintra
Desde 2017, o sindicalista Nivaldo
Santana está à frente da Secretaria de Relações Internacionais da CTB (Central
dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil). Nesta entrevista ao Portal
CTB, Nivaldo detalha a atuação de sua pasta e fala sobre a influência da
conjuntura internacional sobre a luta dos trabalhadores. Confira.
Portal CTB: Quais são as
entidades e os fóruns do sindicalismo internacional nos quais a CTB atua? Quais
são as marcas dessa atuação?
Nivaldo Santana: A CTB é
filiada à Federação Sindical Mundial (FSM) e está representada na
Secretaria-Geral Adjunta pelo nosso companheiro Divanilton Pereira. Em
consequência, atua na FSM na região e nas UIS (Uniões Internacionais Sindicais)
dos diferentes ramos da FSM.
A Central também tem atuação
destacada nos Fóruns da Organização Internacional do Trabalho (OIT), sob
coordenação do companheiro Carlos Muller, secretário de Relações Internacionais
Adjunto da CTB; e no Brics Sindical, com a liderança do companheiro Mário
Teixeira, secretário de Assuntos Jurídicos. Além disso, atua no Encontro
Sindical Nossa América e mantém relações bilaterais com centrais sindicais
internacionais de orientação classista, principalmente no nosso continente.
Portal CTB: Para a classe
trabalhadora, existem hoje bandeiras que podem ser consideradas universais –
válidas para praticamente todo o mundo?
Nivaldo Santana: Desde 2008, o
capitalismo vive uma grave crise. Os governos conservadores e neoliberais
procuram descarregar o ônus maior dessa crise nas costas dos trabalhadores, com
redução do custo da força de trabalho, retirada de direitos, arrocho salarial,
precarização, fragilização dos sindicatos e individualização das relações do
trabalho.
A pauta comum do sindicalismo
internacional, em oposição a essa agenda, é a defesa de projetos nacionais de
desenvolvimento com valorização do trabalho, geração de emprego de qualidade,
melhores salários, redução da jornada, regulação do trabalho, fortalecimento
dos sindicatos e de seu poder de negociação e representação.
Portal CTB: Qual é a sua
avaliação do sindicalismo brasileiro, numa comparação com a realidade do
movimento sindical mundial?
Nivaldo Santana: Cada país tem suas
particularidades. A situação dos trabalhadores e do sindicalismo depende da
situação política do país, do maior ou menor grau de democracia, do nível de
desenvolvimento econômico e avanço científico e tecnológico. Todos esses
fatores estão em crise no Brasil, onde há recessão e estagnação econômica,
desindustrialização, poucos recursos para Ciência & Tecnologia,
fragilização dos direitos trabalhistas, previdenciários e sindicais.
Mesmo assim, o movimento sindical
brasileiro mantém sua pujança, aumentou sua unidade e preserva sua capacidade
de mobilização. Nosso sindicalismo é peça de resistência fundamental ao projeto
de destruição nacional e trabalhista do governo de extrema-direita.
Portal CTB: A seu ver,
quais são os desafios centrais da Secretaria de Relações Internacionais neste
novo mandato (2021-2025)?
Nivaldo Santana: A Secretaria deve
aprofundar sua atuação na FSM e em suas organizações de ramos – as UIS –,
ampliar e fortalecer as relações e o intercâmbio com as centrais sindicais
internacionais de orientação classista e atuar de forma qualificada na OIT e no
Brics Sindical. Precisamos construir espaços de unidade com base em uma agenda
de defesa da democracia, soberania nacional e desenvolvimento com valorização
do trabalho, além de ocupar papel protagonista em todos os espaços em que
questões ligadas ao mundo do trabalho estejam pautadas.
Fonte: Portal CTB
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