Informativo
Mesmo em época de comércio aquecido, trabalho intermitente mobilizou poucos - Foto: Charles Damasceno/Agência Sebrae
TRÊS ANOS APÓS REFORMA TRABALHISTA, CONTRATO INTERMITENTE FRACASSOU
Por Mariana
Branco
Com a constitucionalidade questionada no
Supremo Tribunal Federal (STF), os contratos de trabalho intermitentes
instituídos pela reforma trabalhista, que está em vigor desde novembro de 2017,
não foram bem-sucedidos em gerar trabalho e renda. É o que mostra uma análise
do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese)
com base em dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais).
Segundo as informações, divulgadas no Boletim
Emprego em Pauta de dezembro, o número de contratações com vínculo intermitente
é baixo, não chegando a 0,5%. Além de escassos, entre os contratos firmados são
poucos os que geram trabalho efetivo. Por fim, a remuneração mensal média do
vínculo intermitente é baixa. Em 2019, foi de R$ 637, abaixo do salário mínimo
de R$ 998.
Em 2018, logo após a reforma trabalhista, os
contratos intermitentes respondiam por apenas 0,13% do estoque de empregos
formais. Em 2019, o número aumentou mas seguiu baixo: 0,33% (147 mil
contratos). Já os dados até outubro de 2020 mostram que o volume de contratos
aumentou para 210 mil, o equivalente a 0,44% do total.
Entre os contratos intermitentes celebrados
em 2019, 22%, ou seja, um em cada cinco, não tiveram qualquer renda. O
resultado foi pior que o de 2018, quando a reforma trabalhista tinha menos
tempo de vigência. Naquele ano, 11% dos contratos intermitentes não tiveram
renda.
Outro dado é que em dezembro de 2018, 60% dos
trabalhadores com contrato intermitente haviam sido convocados a trabalhar. Em
2019, esse volume caiu para 48%. Ou seja, no período em que o comércio está
mais aquecido, 52% das pessoas que tinham contratos intermitentes com empresas
ficaram inativas no ano passado.
O economista Gustavo Moreno, do Dieese,
afirma que uma das razões para o baixo número de contratos intermitentes pode
ser a insegurança das empresas em fazer esse tipo de contrato. “Talvez não
enxerguem muitos benefícios. Talvez tenham insegurança quanto aos direitos,
13º, férias, como fica? Esses valores são fracionados, ficam condicionados a
quanto a pessoa recebe”, comenta, lembrando que o próprio questionamento no STF
pode desempenhar um papel na insegurança. Ele destaca, no entanto, que a
reforma está em vigor há pouco tempo e isso ainda pode mudar.
Mas o economista recorda que, mesmo entre as
empresas que celebraram contratos intermitentes, um alto número acabou não
convocando trabalhadores, fenômeno cujas razões ainda precisam ser
investigadas.
De qualquer forma, Gustavo observa que a
expectativa vendida pelos defensores da reforma trabalhista, de que a
possibilidade de contrato intermitente criaria milhões de vagas, não se
confirmou.
“Quando a reforma foi aprovada, dava a
impressão de que ia resolver não só o problema das empresas, mas também o
problema da economia. Ou seja, ao mudar a lei você criaria, por si só, vagas de
trabalho, o que iria acelerar a atividade econômica. Só que é o contrário.
Quando a atividade econômica está acelerada, aí sim você consegue gerar bons
trabalhos”, diz.
Fonte:
Portal Vermelho
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