Informativo
Governo afaga escravagistas com portaria do trabalho escravo
“Nunca houve um ataque tão duro orquestrado pelos exploradores de mão de obra escravizada como a publicação da portaria do trabalho escravo”, declarou Carlos Silva, presidente do Sindicato Nacional dos Auditores do Trabalho (Sinait) em entrevista nesta quinta-feira (19) ao Portal Vermelho. A Portaria 1.129/2017 redefine o conceito de trabalho escravo, o que, na opinião dos trabalhadores do setor, significa o fim do combate ao trabalho escravo no Brasil.
Por Railídia Carvalho
“O ministro do Trabalho disse que é uma decisão de governo. A posição do governo é afagar os ruralistas e afagar os escravagistas e para isso passou por cima da Constituição e da lei no nosso pais”, disparou Carlos.
Ele não tem dúvidas de que a regulamentação do trabalho escravo virou moeda de troca para o governo de Michel Temer. “Essa portaria é para atender interesse dos ruralistas, que precificaram o apoio ao presidente da República que segue no Congresso com uma denúncia de corrupção envolvendo o nome dele”, reiterou o dirigente.
Nesta quarta-feira (18), Carlos e outros dirigentes confirmaram em reunião com o ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, que não há disposição do governo em revogar a portaria.
Em reação à medida, auditores fiscais nos estados paralisaram as atividades em todo o pais. O Sinait anunciou protesto nacional da inspeção do trabalho, em todas as áreas, para a próxima quarta-feira (25).
RETROCESSO
O Brasil reconheceu em 1995 a existência de trabalho escravo no país. São 22 anos de existência do grupo de fiscalização móvel que resgatou 51 mil pessoas na condição de escravizados. As ações no país sob a orientação da atual legislação ganharam reconhecimento internacional.
Com a portaria publicada no Diário Oficial na última segunda-feira (16), o cenário deve sofrer um retrocesso. Para caracterizar trabalho escravo por jornada exaustiva e condição degradante agora é preciso provar que o trabalhador está privado do direito de ir e vir.
Segundo o artigo 149 do Código Penal que orienta a atuação dos fiscais do trabalho, o trabalho escravo pode ser caracterizado por servidão por dívida, condições degradantes, jornada exaustiva e trabalho forçado.
A portaria de Temer também cria a “fiscalização” sobre os fiscais do trabalho, que devem ser acompanhados nas ações por autoridade policial, que poderá ou não emitir um boletim de ocorrência, agora exigido para comprovar o trabalho escravo.
“É uma ousadia jamais vista e deslavada. O ministro insiste em dizer que traz segurança jurídica e que estabelece melhores condições para realizar o trabalho. Coisa nenhuma”, reiterou, indignado, o presidente do Sinait.
DEGRADAÇÃO HUMANA
Reduzir o trabalho escravo à privação do direito de ir e vir legitima outras formas de exploração do trabalho humano que atualmente são consideradas trabalho escravo, observou Carlos.
Há 10 anos atuando na área, ele afirmou que causa indignação a situação vivida por homens, mulheres e crianças que, pelo conteúdo da Portaria 1.129, não se caracterizariam como análogas à escravidão.
Carlos citou o caso de trabalhadores submetidos em áreas rurais a jornadas sem registro trabalhista, equipamento de segurança, sem instalações sanitárias e sem direito a consumir água tratada, por exemplo.
“Consomem a água onde os proprietários lavam os animais, fazem as necessidades no mato, não têm uma cama para dormir, não têm lençol. Em regiões frias são submetidos a banhos frios e não têm cobertor. São tratados como coisas”, descreveu.
PORTARIA INCENTIVA EXPLORAÇÃO
O dirigente informou que a ocorrência de trabalho escravo está disseminada pelo país no campo, nas cidades (áreas têxtil e construção civil) e marítima. Trabalhadores de cruzeiros na costa brasileira eram submetidos as jornadas de 14 horas, assédio moral, sexual e sem a garantia de pagamentos.
Segundo ele, o Estado que deveria assegurar dignidade a esse trabalhador tira dele o direito de ser resgatado e vai tratar a escravidão como irregularidade trabalhista.
“A empresa vai ser autuada mas o trabalhador vai continuar lá, agora desamparado. Os exploradores estarão estimulados a explorar já que esses casos não serão mais tratados como casos de trabalho escravo. A portaria é um incentivo”, completou Carlos.
GOVERNO E CONGRESSO DE COSTAS PARA O TRABALHADOR
Ele relatou que se sente
emocionado ao ver que a falta de políticas públicas para esses trabalhadores
nos locais de origem os tornam presas fáceis para aliciadores do trabalho
escravo.
“São pessoas quem mal sabem pronunciar o nome ou se localizar geograficamente.
Trabalhadores que não têm o hábito de serem tratados como pessoa, se sentem
como um objeto. Nós nos sentimos na obrigação de dizer que eles são pessoas e
estamos ali para assegurar que o trabalhador será retirado dessa situação de
degradação”, relatou Carlos.
O dirigente comparou a lógica da portaria de Temer à reforma trabalhista. “É conduzida pelo mesmo grupo que está de costas para o trabalhador e de mãos dadas com empresários exploradores e criminosos. Sabemos que não são todos mas é uma boa parte que está no governo e tomou conta do Congresso Nacional.”
Fonte: Portal Vermelho | Foto: Facebook SinaitVeja mais
-
Previdência: Centrais exigem que reforma não seja votada e promovem greve nacional
As centrais sindicais (CTB, CUT, Força Sindical, UGT, Nova Central e CSP-Conlutas) estiveram reunidas nessa quarta-feira (29) co ...30/11/2017 -
Pressa na exploração do petróleo acelera envio de riquezas ao exterior
Apenas um mês após promover, em 27 de setembro, a 14° rodada de licitações de áreas para exploração de petróleo e gás no regime ...30/11/2017 -
Educadoras e educadores da infância dizem não à reforma da previdência
Em nota divulgada na imprensa nessa terça (28), o Sindicato dos Educadores da Infância (Sedin) condena a reforma da previdência ...29/11/2017 -
Temer ataca servidores para aprovar reforma da Previdência
O Palácio do Planalto vem tentando convencer a população de que o texto não retira o direito à aposentadoria. Veiculada nos meio ...29/11/2017 -
Dirigentes da CTB debatem soluções para o movimento sindical superar ofensiva do capital
Adilson Araújo, presidente da CTB recebe as visitas de Claudemir Nonato Santana, vice-presidente da central e Vicente Paulo ...28/11/2017 -
Viver com menos que o mínimo e ainda pagar contribuição complementar?
O retrocesso provocado pela reforma trabalhista fica cada dia mais visível. Nessa segunda (27), a Receita Federal teve que anunc ...28/11/2017 -
Em greve, trabalhadores das universidades públicas fecham Ministério do Planejamento
O Comando Nacional de Greve (CNG) da Federação de Sindicatos dos Trabalhadores Técnico-Administrativos em Instituições de Ensino ...27/11/2017 -
Manuela: Fim do ensino gratuito seria o fim das universidades públicas
A deputada Manuela D’Ávila contestou a proposta do Banco Mundial de por fim ao ensino gratuito nas universidades públicas e a co ...27/11/2017 -
Juiz não aplica reforma trabalhista e reverte demissão em massa
Ao não aplicar a reforma trabalhista, que entrou em vigor no último dia 11, um juiz de São Paulo (SP) reverteu a demissão em mas ...26/11/2017 -
Impedir o enterro da CLT
A entrada em vigor da reforma trabalhista, no último dia 11 de novembro, deu as primeiras mostras do que promete ser o mundo do ...26/11/2017 -
Centrais convocam greve nacional contra reforma da Previdência
Em reunião realizada nesta sexta-feira (24) na sede da Força Sindical, representantes das centrais sindicais brasileiras definir ...24/11/2017 -
"Estamos empenhados na luta para barrar a agenda ultraliberal de Temer", diz presidente da CTB
O presidente nacional da CTB, Adilson Araújo, esteve na sede da CTB-BA, nesta quarta-feira, onde se encontrou com o atual presid ...22/11/2017 -
Temer enxuga reforma, mas continua a penalizar mais os pobres
Na tentativa de aprovar a medida mais impopular do governo, Michel Temer enxugou a Reforma da Previdência. Apesar de alguns recu ...22/11/2017 -
COM TEMER, DESEMPREGO DE JOVENS NO BRASIL É O MAIOR EM 27 ANOS
247 - O desemprego entre os jovens no Brasil atinge sua maior taxa em 27 anos. Dados apresentados pela Organização Internaci ...21/11/2017 -
Teria o Brasil voltado a época que era dominado pela Inglaterra?
Uma potência estrangeira, a Inglaterra, se achou no direito de participar diretamente de uma sessão da Comissão Mista da Câmara ...21/11/2017 -
CTB, Dieese e OIT trabalharão em conjunto para denunciar efeitos da reforma trabalhista
"Hoje mais de 110 países aplicam reformas, umas para aumentar direitos, outras para retirar. Ao que tange a reforma trabalhista, ...20/11/2017 -
Nesta segunda, movimentos realizam 14ª Marcha da Consciência Negra
Militantes vão às ruas para reivindicar um novo projeto político para a população preta. Concentração será na Avenida Paulista, ...20/11/2017 -
Caixa paga abono do PIS nesta sexta (17) para quem nasceu em novembro. Saiba seu direito!
A Caixa Econômica Federal paga nesta sexta-feira (17), o abono salarial do Programa de Integração Social (PIS), referente ao cal ...17/11/2017 -
MP aprofunda precarização, golpeia direitos trabalhistas e sindicatos
O governo de Michel Temer tenta corrigir erros “crassos” da reforma trabalhista com a Medida Provisória 808, publicada no Diário ...17/11/2017 -
Temer edita Medida Provisória da Reforma Trabalhista; saiba o que muda
A Medida Provisória (MP) que altera pontos da reforma trabalhista, que entrou em vigor no último dia 11 de novembro, é considera ...16/11/2017